Ninguém é de Ninguém

Pitty lança “Ninguém é de Ninguém” com muita atitude e nos impulsionando a sermos nós mesmos.

O clipe da canção mostra uma festa com diversas pessoas de personalidades e estilos distintos que curtem uma festa e mostra que devemos ser e fazer o que quisermos ame medo de sermos felizes. A direção é de Fernando Mencocini.

A canção fala sobre a liberdade de sermos quem somos e que tipo de relacionamento temos com as pessoas seja um amor, um parente, um amigo ou um conhecido.

A canção é uma composição da própria Pitty com o maridão, Daniel Weksler e faz parte do álbum “Matriz”.

Matriz

O tão aguardado quinto álbum de estúdio da Pitty já está entre nós. “Matriz” é uma obra prima e se aproxima das raízes da roqueira. E hoje o Me Gusta vai fazer uma análise deste novo CD.

Produzido por Rafael Ramos e lançado pela Deck Disc, o disco tem treze faixas e algumas participações pra lá de especiais. O seu título foi escolhido exatamente por revisitar as matrizes músicas do início de carreira de Pitty, suas influências e sua essência.

Foto: Otávio Souza

A cantora falou um pouco do nome “Matriz”, “Metaforizando, é como a história de uma ‘blueswoman’ que sai da plantação de algodão, bota a viola no saco e vai tentar a vida na cidade grande. É uma espécie de retorno de um autoexílio estético e cultural, e isso somente é possível hoje por vários motivos. A passagem do tempo, que nos distância do superficial e nos aproxima da essência, e essa nova cena que renovou o fluxo criativo da minha terra, fazendo com que artistas diferentes possam existir ali. Entre outras coisas mais subjetivas”

A música que abriu o novo trabalho é “Bicho Solto” e ela realmente lembra bastante as canções de princípio de carreira. Lembra um som bem conceitual e alternativo com uso de campainhas e um ritmo um pouco repetitivo, mas ótimo. Nos faz refletir sobre a questão do ser e parecer, que é tão presente em nossa sociedade. Incrível.

Um dos singles, “Noite Inteira” já é sucesso. Um belo manifesto que fala da necessidade de lutar contra opressão e a corrupção e como podemos realizar as coisas se o povo se unir. Mas atual e necessário, impossível. E o mais bacana é a participação do grande artista baiano Lazzo Matumbi.

Capa de “Matriz”

Duas canções não foram compostas pela cantora. “Motor” é uma regravação de música da banda Maglore e composta por Teago Oliveira. Nos primeiros segundos, ainda instruntal já curti muito o que ouvi. E o amor por essa música aumentou ainda mais, com sua linda e sensível letra, de arranjo envolvente e com a voz usada com leveza por ela.

Já “Para O Grande Amor”, é uma linda homenagem gravada por Pitty. Composta pelo saudoso Peo Souza (amigo e ex integrante de sua banda) e já gravada pelo grupo Folks, a letra fala de um amor o que te faz ser você mesmo e como é importante cada momento com quem se ama. Muito gostosa de ouvir.

Destaque para “Roda” e sua pegada parecida com as primeiras canções da artista. O rock marcante que levanta as bandeiras da liberdade de se expressar, do orgulho às nossas origens e do persistir sempre. Nela, artista acompanhada do grupo Baiana System, que realmente deu um toque bem especial.

Foto: Maurício Nahas

Bateria bem marcada, Baixo evidente e mistura do Rock com o Blues. É assim “Bahia Blues”. Em sua letra, Pitty canta orgulho por suas origens e como as experiências de vida contribuíram em seu crescimento. também ressalta a importância de se ter um lugar para voltar e se reconectar consigo mesmo.

Já pensou misturar o Rock com Reggae? Isso que acontece no single “Te Conecta”, que também fala sobre se conectar consigo mesmo. Também temos Rock do jeito que só Pitty sabe fazer. “Submersa” nos faz pensar sobre a inconstância do ser humano e que devemos seguir nossos instintos e perseguir os nossos objetivos, mesmo que haja dificuldades. Podemos até pensar em recuar, mas temos que respirar fundo e avançar.

E o disco fecha com chave de ouro. “Sol Quadrado” conta com a participação da talentosa Larissa Luz. Recorda que o que fazemos, seja algo bom ou ruim, retorna lá na frente. Além disso não podemos deixar de questionar o que achamos errado ou não entendemos e devemos sempre manter a nossa essência.

Realmente valeu muito a pena esperar cinco anos por um projeto em estúdio. Temos uma Pitty como sempre adoramos. Uma artista completa que sabe falar com o nosso coração e a nossa consciência. Além de suas letras que sempre são muito bem escritas e acompanhadas por ótimos arranjos.

Foto: Otávio Souza

A rockeira também falou sobre esse tempo todo sem gravar um álbum inédito. “Não é estratégia, não, é só respeito a uma demanda criativa. Eu poderia lançar um disco por ano, mas acho que eles não seriam bons, seria um desrespeito com a própria obra”.

E outra coisa que ela contou, podemos perceber neste álbum tão bacana. “Acabei mostrando um pouco a minha Bahia, diferente daquela estereotipada, onde tem rock, outros gêneros musicais, e cenários que não são só aqueles tradicionais, que eu também amo”.

Em “Matriz”, Pitty resgata sua essência e suas origens e sem deixar de inovar com elementos diferentes dos habituais e com participações tão talentosas. E como sempre ganhos belas músicas com letras inspiradoras, reflexivas, fortes e de personalidade.

Noite Inteira

Sabe quando não sabemos dizer o que é mais incrível, se a música ou o clipe? Essa é a sensação que Pitty nos dá com “Noite Inteira”.

O single que conta com a participação de Lazzo Matumbi, traz uma musicalidade rock latina e tem umm temática atual. Ela reflete a nossa sociedade de hoje em dia e na força que o nosso povo tem.

No vídeo com direção de Carlos Pedreañez, Pitty é transportada para o universo do desenho animado. A ilustração foi por conta de Paulo Pires. A animação é cheia de personalidade e de atitude, contando a história da música.

Pitty resume bem o espírito da nova música, “Fala do quanto podemos realizar quando estamos juntos com um objetivo em comum, e a responsabilidade que temos com os valores com os quais nos comprometemos. E que pode ser tanto uma manifestação na rua, como uma festa, um Carnaval. A gente se junta para fazer revolução, mas também para dançar, para trocar ideia”.

Sobre o seu parceiro musical a cantora conta “Lazzo é uma voz de resistência do movimento negro e que me remete a isso desde pequena. Ouvia ele cantando músicas muito fortes, revolucionárias, um canto de liberdade, além de ter um vozeirão inacreditável”.

E ela enfatiza a importância do dueto “Mesmo que a gente tenha caminhos musicais diferentes, nos encontramos no campo das ideias, foi uma honra para mim”.

A letra da canção foi feita pela Pitty junto ao baixista Gui Almeida e o guitarrista Martin. Ela faz parte de “Matriz”, novo álbum da rockeira com lançamento para Abril de 2019 pela Deck Disc.

Te Conecta

Renovando sua sonoridade misturando o Rock com Reggae e Dub, Pitty lança “Me Conecta”.

O clipe traz uma estética toda retrô e foi gravado em São Paulo na linda Casa Amarela com direção de Cisco Vasques.

Além da banda de Pitty participam da produção Emily Barreto, Tássia Reis, Carolina Borrego, Ju Rangel e Claudinha Rosa.

Pitty escreveu a canção em um momento de reflexão pessoal sobre a busca de um lugar de conexão consigo mesma.

Sobre o vídeo, o diretor conta “Acho a Pitty uma artista de muita presença e personalidade. Assistir aos clipes dela e vi que ela já trabalhou com várias estéticas. Segui a ideia de fazer algo simples e com muita classe, pensando numa fotografia elegante. Queríamos mostrar as coisas como são, um lado bem humano.

Cisco completa “Para o cenário veio a ideia de uma casa que ligasse Havana ao Brasil com tons quentes, como vermelho. E sempre tendo a música como protagonista”.

Uma das rockeiras mais queridas do Brasil está preparando seu novo disco e seguindo com a turnê “Matriz”, com um show onde ela desejou ter o público mais pra perto, em um clima mais intimista.

Contramão

Muito poderosa Pitty está de volta em “Contramão”. E desta vez, ela vem acompanhada das talentosas Tássia Reis e Emily Barreto.

Com direção de Judith Belfer, o clipe que foi feito por uma equipe composta apenas por mulheres, reflete a personalidade das cantoras e suas trajetórias. Com muita atitude somos convidados a romper estereótipos e superarmos a cada dia.

Sobre o vídeo Judith conta “As cenas representam e e reafirmam a quebra de padrões estético-sociais tão presentes no trabalho das três”

Fotos: Takeuchiss

A faixa escrita pela rockeira junto a Tássia ficou pronta há alguns anos. E foi agora que Pitty achou o momento ideal para o lançamento. Ela revela “Ano passado me veio o Insight que essa canção tinha que ter mais vozes mais cores, mais sons, diferentes linguagens. Aí pensei em outras mulheres para cantar comigo e chegar nesse lugar de mistura. Chamei Emily Barreto do Tar From Alaska, e Tássia Reis”.

A faixa foi produzida por Rafael Ramos e mistura o Rock com o Pop e o Rap e está presente no novo disco de Pitty, com previsão para lançamento em 2018.

CDs Que Amamos : Anacrônico

Um dos clássicos de Pitty e do rock Nacional é o álbum ‘Anacrônico’. Quem nunca cantarolou as músicas deste disco? Quem nunca bateu os pés ao ouvir cada hit? E quem nunca teve vontade de ser um rockstar ao ouvir o CD?

Lançado em 21 de Agosto de 2005 pela Deskdisc com 13 músicas compostas por Pitty e seus parceiros, ‘Anacrônico’ foi produzido por Rafel Ramos (e masterizado em Los Angeles por Brian Gardnere) trazendo aquele Rock que nos representa e que só a baiana sabe fazer, com muita qualidade e atitude. A capa do disco é lindíssima e dá o toque final a este clássico. Sua ilustração que retrata bem o anacronismo, sendo bem retrô foi feita pelo artista plástico Edinho Sampaio. Na arte há três garotas que segundo a cantora têm uma malícia não declarada, uma inocência pervertida e  são esquisitinhas, mas interessantes.

Apesar de rock, o álbum anterior era mais melódico e este trouxe um som mais pesado com um maior uso de guitarras pela artista. As letras falam dos pensamentos de Pitty e como ela vê o mundo e em partes até biográficas. Segundo a roqueira, “Faço críticas, falo de liberdade, o jeito que a gente vive”.

Sobre este trabalho ser mais pesado sonoramente, ela declarou “Não foi algo consciente fazer esse CD mais pesado, não foi verbalizado. Acabou ficando do jeito que eu sempre quis, mas para onde não sabia chegar. Os temas são parecidos com os do primeiro disco, só a forma de falar é que mudou”.

Os singles fizeram muito sucesso e até hoje são lembrados e amados. ‘Anacrônico’ nos lembra a mania do ser humano de não mudar as coisas e seu interior, apesar do mundo em sua volta estar mudando, evoluindo e exigindo que você tome uma atitude. ‘Déjà Vu’ mostra algo bem recorrente em nossas vidas, o sentimento de se estar esgotado e também sobre não sofrer mais com certas coisas que já nos afetou.

anacronico

‘Memórias’ com certeza é uma canção de fácil identificação ao falar de memórias que podem ser como fantasmas em nossas vidas. O clipe desse tema levou os prêmios de ‘Melhor Videoclipe do Ano’ no Prêmio Multishow 2006 e ‘Melhor Clipe’ pela audiência do VMB no mesmo ano. Para completar, a música venceu o prêmio Bizz de 2007 como ‘Música do Ano’.

E a música favorita de quem vos escreve ‘Na Sua Estante’ é até hoje uma das mais aclamadas de todo repertório de Pitty. Uma música de amor, daquelas de cortar o coração e tocar nossa alma. E para falar do quanto mais temos, mais queremos sem nos darmos conta disso e como isso nos afeta, ‘De Você’ é bem direta e foi o último single do disco.

Além dos singles, todas as outras músicas são igualmente incríveis e valem a pena serem escutadas com muita atenção e certamente falam e muito conosco. Destaque também para ‘Ignorin’ U’ em inglês, ‘Brinquedo Torto’ que fala sobre rótulos e o que a sociedade nos impõe criticando todo um sistema e ‘Quem Vai Queimar’ que propõe uma reflexão sobre a as atrocidades do mundo e como as padronizações afetam nossas vidas.

A repercussão do álbum foi totalmente positiva e resultou na venda de 700 mil cópias físicas, superando o primeiro disco (“Admirável Chip Novo’) e aumentando ainda mais a popularidade desta grande artista. Pitty mostrou o poder da mulher no Rock e que todo mundo pode gostar do gênero, independente de ser ou não um de seus favoritos. O Rock é universal, fala a todos e isso mais do que foi provado com ‘Anacrônico’.