Me Gusta Entrevista : Deborah Blando

Texto e Entrevista por André Rossanez

Deborah Blando marcou muito a vida de todos nós com sua música e sua arte. A compositora e cantora acaba de lançar o seu single “We Fly” junto ao DJ Bruno Knauer.

Para nossa imensa alegria, o Portal Me gusta teve o privilégio de entrevistar a artista, que está se mudando para Inglaterra, por WhatsApp.

Na entrevista relembramos como surgiu o amor de Débora pela música e falamos sobre sua carreira, música nova e da nova fase de sua vida. Saiba tudo o que conversamos, na íntegra.

Me Gusta: Relembrando, como surgiu a música em sua vida?

Deborah Blando: A minha mãe diz que me levaram no médico, porque toda vez que tinha comercial na televisão da Itália e que tinha música, eu ficava paralisada e achavam que eu tinha problema de audição e aí o médico disse “não, ela fica paralisada porque ela tá ouvindo”. A música surgiu muito naturalmente. Na Itália todo mundo, em todas as escolas desde o jardim de infância, tem muita música. Eu aprendi a cantar, acho que na escola e com a televisão. Aprendi praticamente a cantar e falar ao mesmo tempo. Com menos de três anos, eu estava vencendo o Festival de San Remo para crianças na Itália, que os meus primos me escreveram e mandaram uma gravação minha, não sei como naquela época. E eu ganhei o festival junto com outras crianças, eram escolhidas dez. Foi assim que surgiu.

Me Gusta: Como se dá seu processo de composição e quais suas inspirações?

Deborah: O processo de composição vem mudando com os anos. Mas é sempre uma inspiração que vem, algo que vem sei lá, tomando banho e aí vem uma melodia, uma ideia. Eu acho que a composição, já tá meio que pronta, assim, de algum lugar, você vai e capta. É uma coisa independente, claro, a gente cria o tempo todo, vem da nossa mente. Mas é como se ela já tivesse no inconsciente coletivo também, sabe? E você vai e recupera aquilo alí e coloca uma voz, uma melodia, uma letra, uma harmonia. Ultimamente as minhas composições vem sido mais espirituais, músicas que ofereço para os budas, de oferendas, de mandalas de oferendas ou são a minha devoção com meu guia espiritual, minha paixão. Eu sou muito apaixonada, tenho muita devoção e com isso me sinto mais próxima à ele. Porque eu quero me tornar como ele, é uma pessoa que ajuda muita gente o tempo todom Imagina você se tornar uma pessoa que muda a vida dos outros de uma forma profunda, e traz paz interior pros outros. Então, pra mim ela vem dessa paz,, da compaixão e do amor. Hoje em dia música pra mim, é isso, uma extensão das minhas pequenas realizações espirituais.

Me Gusta: Como surgiu a canção “We Fly”? Como foi feita a escolha dela como Single?

Deborah: A música surgiu da ideia do JP, da Liner Company, amigo meu, que achava que eu tinha que compor com o Bruno Knauer, que é um super talento, produtor e compositor também. E daí vi uma base dele e eu já tinha ideias com o Diego Marcsant, que é um amigo meu que também compôe bastante, mas acho que nunca lançou uma música com ninguém, porque o fico dele é cabelo, ele é meu cabeleireiro. É engraçado, eu gosto disso, gosto das coisas que são orgânicas, naturais. Foi isso. Eu fiz uma música em cima, falando do meu momento, que é “We Fly”, voando pra novos horizontes, novos ares, novos vôos na minha vida. Eu me sinto um pouco uma fênix, que passou por muita coisa e hoje em dia eu tô voando e é um vôo mais alto, porque é um vôo espiritual fazer formação para professores aqui e ter sido aceita dentro de tantos milhões de pessoas no mundo todo. Então é bum vôo alto. Acho que rsse seria o vôo mais alto.

Me Gusta: Você está se mudando pra Inglaterra. Como está sendo a expectativa?

Deborah: Morar aqui na Inglaterra, ainda mais em um centro de budismo kadampa e meditação, é um sonho que eu tinha, desde que eu vim aqui e conheci o meu guia espiritual que é o Sig Yatsu, que é uma pessoa iluminada, literalmente um Buda. Eu queria morar aqui e ter essa paz de viver em comunidade, de encontrar essa paz, estudar mais a fundo o Budismo. Tá sendo maravilhoso, porque toda vez que eu vinha morar aqui por um tempo, eu deixava alguma coisa para trás, eu não ficava inteira aqui, por causa dos meus cachorros e agora eu trouxe os cachorros e o namorado. Claro que minha família ficou, mas eu vou visitar eles e eles vem me visitar. Mas eu digo assim, os meus filhos caninos vieram juntos comigo e meu namorado também, que já tava vivendo comigo, a gente já tava morando junto. Então agora é uma coisa diferente. É diferente porque tô aqui por inteiro mesmo.

Me Gusta: Vocês já emplacou mtos sucessos em novelas. Como é pra você ouvir suas músicas na telinha e chegando a tanta gente?

Deborah: Novela para mim é sempre uma benção, é muito bom. Tenho 21 temas de novela, mas cada vez que ouço uma novela nova, é como se fosse a primeira vez para mim. Que nem, sei lá, é sempre uma surpresa, sempre uma felicidade, uma comemoração. Eu adoro.

Me Gusta: Como vc vê o Pop atualmente?

Deborah: A Música Pop hoje em dia mudou muito. O Pop uma época, tinha muita melodia, poesia e produções tipo ‘Uau’. Hoje em dia no Brasil, ela não tem mais isso, grandes cantoras que arrepiam a alma, como tem aqui, como Celine Dion e Christina Aguilera. No Brasil não é uma cultura, fora a Iza, que é uma grande cantora. E tem umas outras cantoras também de outras gerações que estão aí na praça, que são Elba Ramalho, Vanessa da Mata, enfim. Claro que a gente tem música boa, mas é a minoria e de cantora também, eu diria que é a minoria também, que são as vozes que a gente admira hoje em dia. Então, é uma pena, porque a gente perdeu muito musicalmente no Brasil.

Me Gusta: Como é sua relação com seus fãs?

Deborah: A relação com os meus fãs é um Extended Family, eu falo aqui para as pessoas. É uma extensão, como se fosse uma família. A minha relação com eles é muito estreita, conheço eles. E existe um grupo também, o Blando Maníacos. Eles são independentes de mim e eles já têm uma amizade muito grande através da minha música, o que fez com que eles se encontrassem na vida e dividissem muitas outras coisas em suas vidas pessoais. Isso para mim já valeu. Já valeu ter essa relação assim com os fãs. Tudo eu pergunto para eles, eles me dão conselhos, eles me mandam vídeos para postar, eu reposto vídeos deles. É uma relação muito legal, é uma coisa que alimenta eles e alimenta à mim. É para vida

Me Gusta: Dentro do que você puder adiantar, quais os próximos passos da carreira?

Deborah: Nada planejado em carreira, porque agora eu fui aceita em um programa de ensino para formar professores residentes de budismo e meditação e é um programa intensivo que começa em Fevereiro. Então, vou dar ‘um pause’ na minha carreira, porque eu quero fazer esse curso e me aprofundar na minha vida espiritual e não tenho planos, não sei quando. Porque essa música na verdade é um presente de ‘goodbye for now’, de tchau por enquanto. Não sei quando vou fazer alguma coisa na minha carreira de novo, essas coisas a gente não sabe mesmo. Não tenho nada planejado, meu único plano agora é me concentrar em meus estudos budistas.

Me Gusta: O que você diria aos cantores em começo de carreira?

Deborah: Não sei o que eu diria para os cantores, porque como eu disse, a música de qualidade, de melodias acho que ainda tem. Não sei como o mercado tá, eu tô meio por fora do mercado, pra ser bem sincera, porque tô em outra aqui na Inglaterra. Mas eu diria: segue o seu coração, faz aquilo que você gosta. Talvez hoje em dia, o que faz sucesso não é ter um vozeirão, é cantar bem, mas se você tem esse talento segue firme, que uma hora acontece. As coisas mudam, tudo é ‘mudismo’ de qualquer forma. Então, daqui a pouco música boa volta a tocar aonde não tem bastante melodia, poesia, harmonia. É um sonho que a música voltasse a fazer sucesso no Brasil como faz aqui na Inglaterra. Na Inglaterra tem muita coisa legal, música pop bacana, cheia de arranjo e melodia bacanas e com cantores excelentes. Seria muito bom se isso pudesse acontecer no Brasil também. Então, eu diria: segue o seu sonho.

Me Gusta Entrevista : Jonathan Costa

Entrevista e Texto por André Rossanez

O Portal Me Gusta teve a felicidade e o privilégio de entrevistar ao telefone o cantor, produtor, DJ e empresário Jonathan Costa, sim, o ‘Jonathan da nova geração’ que nos fez dançar muito em 2000.

Conversamos com o artista que comanda o “JonJon Baile” e está lançando seu mais novo single “Brisa Na Vibe”, ao lado de Os Hawaianos.

Saiba tudo o que conversamos na íntegra sobre carreira, música, projetos e o novo hit. Um bate papo muito bacana e inspirador.

Me Gusta: Aos sete anos você foi sucesso com o hit “Jonathan da Nova Geração”. Como foi para você tão novo já cantar e fazer sucesso?

Jonathan Costa: A minha conexão com a Música e com o Funk surgiu desde o meu nascimento. A bolsa da minha mãe estourou quando ela tava se apresentando num Baile Funk e saiu do baile direto para a maternidade. Então, fui acompanhando e fui me apaixonando e aos sete anos, quando comecei a cantar, era uma diversão e depois virou uma profissão. Hoje eu estudo para caramba música e me aprimoro cada vez mais dentro da minha área. E estou no Funk junto com meu baile levando essa minha outra característica. Durante muito tempo, as pessoas conheceram o Jonathan da Furacão 2000 como apresentador e empresário. Poucas pessoas tiveram acesso ao Jonathan da Nova Geração, que quando criança foi impedido de cantar, e tive que encontrar novos amores. E hoje nessa nova empreitada como DJ e produtor à frente do “JonJon Baile”, a galera tá tendo esse comeback de tudo isso que eles viveram, do pouco que eles puderam viver do Jonathan da Nova Geração e o que eles curtiram do Jonathan da Furacão 2000, com essa nova roupagem do “JonJon Baile” como DJ e produtor.

Me Gusta: Como você sente o fato do sucesso “Jonathan da Nova Geração,” ter sido marcante na vida de tanta gente, e ainda continuar sendo referência até hoje?

Jonathan: Pra mim é uma alegria gigantesca ter um hit atemporal. “Jonathan da Nova Geração” virou um hino da galera e isso é para mim gratificante demais. Fico muito feliz e desde “Jonathan da Nova Geração” até hoje, eu faço tudo com muito amor e tudo se torna real e aí todo mundo se identifica. Tenho 20 anos de carreira. Comecei com 6 anos quando gravei o meu primeiro hit, estourei com 7 e ano que vem tô completando 20 anos de carreira aos 26. É muito maneiro, muito legal.

Me Gusta: Como surgiu a música “Brisa Na Vibe” e a parceria com Os Hawaianos?

Jonathan: Eu e o Yuri, por conta da rotina de shows, a gente estava sem se falar e aí, um belo dia, com essa coisa de rede social nos falamos. E eu liguei para o Yuri e a gente começou a falar sobre várias coisas da vida . Porque assim, quando você tem uma amizade verdadeira, você pode às vezes passar anos sem falar, mas quando você volta a se falar, parece que vocês se falaram ontem. Daí, marquei para ele vir aqui em casa, onde tenho um home studio, e a gente começou a fazer uma análise de tudo que aconteceu, sobre tudo que a gente viveu no Funk e como o Funk está hoje e nessa, o Yuri me trouxe um trecho. Foi coisa de 3 dias, foi muita conexão, muita energia. Quando ouvi a música falei, ‘caraca, é isso’. A gente foi e escreveu a música, no segundo dia a música tava produzida e no terceiro dia, a gente já estruturou tudo. Então, foi uma parceria muito legal, onde a gente traz toda essa experiência de estrada que a gente já viveu e com a inovação dos dias atuais, com essa batida única e contagiante do Funk. A música é muito isso. E tem a coreografia com aquele bit, que não te deixa parado. Não é à toa que a música se chama “Brisa na Vibe”. É muito irado.

Me Gusta: Como foi gravar o clipe de “Brisa na Vibe”?

Jonathan: Sempre me dedico a tudo que faço 100%, mas essa música em especial me dediquei 1000%. Eu fiz o roteiro, dei pitaco na direção, montei o enquadramento e prestei atenção em tudo, para sair do jeitinho que eu acredito e transparecendo toda essa verdade, toda essa energia. Sem contar, cara, que tá muito legal, valeu muito a pena. Convido todo mundo a tá assistindo que a música e o clipe tão bem ‘da hora’. Tanto o diretor Ismael, como o Yuri e eu, a gente se entregou 1000% nesse projeto para fazer a diferença. Não tenho dúvida.

Me Gusta: Como surgiu lado DJ e produtor?

Jonathan: Como DJ sempre foi uma brincadeira, que fiz no meu lado pessoal, com os meus amigos. A galera que convivia comigo, as vezes num baile ou outro da Furacão, eu tocava. Era aquela coisa que começou como brincadeira. Aí a gente foi profissionalizando. Fiz um curso e comecei a estudar e fui me apaixonando, me apaixonando, até o momento que tirei meu projeto da gaveta, que foi o JonJon Baile e começou essa mistura de sucesso. No meu baile você encontra Funk, desde os mais antigos até os mais atuais. A gente faz realmente uma viagem do Funk, trazendo todos os sucessos a toda. Porque acredito que o sucesso não é só a novidade, mas é aquela música que quando toca a galera vai ao delírio.

Me Gusta: Como você vê o Funk atualmente?

Jonathan: Sempre vi o Funk como um dos maiores movimentos culturais do Brasil e também um dos maiores movimentos musicais do mundo. Hoje tá se tornando cada vez mais isso. A gente ainda sofre muito preconceito, mas já quebramos grandes barreiras e continuamos a evoluir. É uma música que quando toca já vem seu DNA, sua característica. Você ouve uma vez o Funk e nunca mais se esquece. Você pode as vezes, até não gostar, mas você dança, você curte, gosta da batida e se identifica com a letra. O Funk é isso. Ele é real e faz toda diferença no cenário musical e internacional, não é a toa que a gente vê grandes artistas mundiais se conectando, querendo aprender mais sobre o Funk e cantando.

Me Gusta: Como é o seu processo de composição?

Jonathan: Vai muito do estado de espírito. Tem vezes que acontece quando tô no sofá, às vezes quando tô no estúdio. Tem vezes que é muito louco. Tô andando na rua ou andando de carro entre os shows e vem uma ideia na cabeça. Paro e começo a escrever no bloco de notas. A composição vem pra mim, flui de uma maneira que é verdadeira, então tenho que estar me expressando. Então depende muito do estado de espírito na hora. As vezes, ja cheguei da balada com amigos e canetei uma parada, compus alguma coisa ou comecei a fazer um beat que achei legal ou ouvi na balada, encrementei alguma coisa. Eu acredito que pra mim, Jonathan, toda vez que crio uma parada, tenho que estar bem empolgado. Então vem do estado de espírito. Eu não tenho uma regra. Tem gente que tem uma regra de ‘Ah eu só consigo compor sentado em casa”, já eu não. Vem e quando vem tenho que parar para anotar tudo se não esqueço.

Me Gusta: Como é sua relação com os fãs?

Jonathan: A relação com meus fãs é ótima. Eu tento responder todos eles, o tempo todo. São minha família, essa é a realidade, porque eles, muitos me acompanham desde pequenos e outros estão chegando agora com o JonJon Baile e vendo como funciona, a galera mais jovem. É uma conexão com as pessoas, então é muito legal. Eu, por exemplo, nas redes sociais, eu mesmo respondo todos os comentários. Os directa, não consigo responder tudo, então preciso de ajuda, porque é muita gente. Mas os comentários eu paro pelo menos uma vez ao dia pra responder uma a uma. É muito legal. Você responde a pessoa, depois você encontra ela no show, ela te encontra no show e você encontra ela nas redes sociais. Então tenho essa conexão. Gosto de estar bem próximo do meu público.

Me Gusta: Dentro do que você puder adiantar, quais são os próximos passos?

Jonathan: Os próximos passos são músicas. Muitas músicas e gente nova. Porque é isso que tá faltando no cenário, a gente abrir portas pra essa galera da nova geração. Tem muita gente que vai chegar para vir um som novo, um som diferente Depois da Furacão 2000, muitas portas se fecharam pra mim, e eu prometi que daquele dia em diante, eu seria a chave para todas as pessoas que tiveram uma vez na vida uma porta fechada, ou que por algum motivo tivesse desistido de levar sua arte pra frente. Eu ia cultivar e trazer essa galera para dentro do game, dentro do jogo, produzindo uma música, escrevendo algo junto e dando aquela oportunidade pra galera botar a cara e mostrar o que sabe fazer.

Me Gusta: O que você diria pra quem está começando na carreira?

Jonathan: Cara, ame o que você faz e não desista. É o mais importante. Você tem que ter amor e tem que ter muita persistência. Na vida nada é fácil, na carreira artística também, mas a gente tem que persistir, acreditar e ter humildade e aprender com cada erro e ter também a certeza do que você tá fazendo, pra não se perder. Porque tem muita gente que se perde na estrada e com todas as ilusões. É saber quem você é e onde quer chegar. Então para te manter de pé é o amor. Você tem que ter amor pelo que você faz, porque chega uma hora que não é sobre ter dinheiro e quem ganha mais e quem ganha menos, é sobre o que você ama estar fazendo.

Me Gusta Entrevista : Bruna Caram

Bruna Caram lançou em 26 de agosto o quinto álbum da carreira, “Alivio”. Um álbum lindo, brasileiro né de muita personalidade.

Este é o trabalho mais autoral da cantora, que assina sete das nove músicas do álbum. Com produção de André Moraes, o disco conta com as participações de nomes como Marcelo Jeneci, Ailton Reiner e Jean Dollabella, do Sepultura, entre outros.

O Portal Me Gusta teve o privilégio de conversar com a cantora por telefone para falar de carreira, música e o novo trabalho.

Saiba tudo o que conversamos na íntegra.

Portal Me Gusta: Como surgiu a música na sua vida?

Bruna Caram: A música surgiu antes da vida, até. A minha avó foi cantora de rádio nos anos 50 e ela gravou uma participação em uma música que falava de maternidade que chama “Livre” e o meu avô era violonista. Então eu já nasci no meio musical perto de produtores, compositores e professores de música. Quando eu era criança, a casa da minha avó no interior, era uma escola de música e então, muito antes de ser minha profissão, a música foi a primeira maneira de viver para mim. Uma maneira de ser feliz e estar com as pessoas que eu gostava. Antes de decidir fazer isso como minha profissão, conheci a música como prazer e para fazer feliz.

Me Gusta: Como se deu o processo de escolha de repertório do novo disco “Alívio”?

Bruna: Eu comecei os trabalhos em Janeiro com uma pré-produção do André Moraes. Fiquei bem feliz de encontrar o André, porque o conheci como cineasta, que é uma das profissões dele e ele me conheceu como atriz em um trabalho com o Sérgio Pena, que é um dos preparadores de elenco mais requisitados do Brasil e cuja equipe eu faço parte. Eu queria muito que o disco mostrasse a interpretação em primeiro lugar e contasse as histórias das músicas, e tinha vontade de que a música brasileira aparecesse mais do que nos outros álbuns anteriores. Queria que quem ouvisse soubesse que é a neta de um violonista, então foi muito gostoso. A gente ouviu de Reggae a Queen e Rock’n Roll, que é a praia do André e fui encontrando essa possibilidade de fazer um disco com bastante dinâmica e muito foco nas letras das músicas. Eu acho que isso refletiu no resultado final, até porque a maioria das letras são minhas.

Me Gusta: Como é o seu processo de composição e suas inspirações ao compor?

Bruna: Até não tem para trás eu não me via como compositora. Me envia bastante como letrista, porque eu escrevo desde criança, mas não me sentia muito capaz de compor música mesmo. Foi por causa dos meus parceiros que eu sair do armário como compositora e nos meus discos anteriores, ficou bem mais claro, Por que tenho parcerias com Chico César, Roberta Sá e Zeca Baleiro, que foram pessoas importantes naquele momento. E no “Alívio”, eu apareci sozinha como compositora, e com certeza, começar a tocar instrumentos me deu esse lugar de segurança que eu não conhecia. Estudei piano e violão desde adolescente, abandonei os dois na faculdade e demorei muitos anos para ter coragem de novo, de me encontrar com os instrumentos. Acho que o motivo de eu ter voltado, foi ter ganhado a sanfona do meu avô, depois que ele morreu e de repente me vi com esse instrumento tão bonito e tão difícil no meu colo. Então decidi que mesmo que eu tocasse mal, eu tocaria, e foi assim que consegui me abrir para composição em geral. Hoje eu componho no piano mesmo ou até a capela, mas o fato se eu conseguir escrever minhas músicas e falar para os músicos, foi uma evolução na carreira. Eu virei uma outra artista muito mais feliz e menos insegura. E o disco é sobre isso.

Me Gusta: Como foi fazer a sua versão de “Certas Canções”, do Milton Nascimento?

Bruna: Escolher uma canção de um dos maiores cantores do universo é sempre libertador e um desafio. Eu via composições de compositores conhecidos e pareceria que em nada, eu achava um diferencial e com a potência que eu queria. Essa música do Milton apareceu, porque acho esse tema muito lindo, de dizer o quanto se ama a arte alheia. Aí caiu a minha ficha, de que em um disco tão autoral, a única música não autoral, que fala da arte alheia, é também um elemento de cura e de união, e para mim foi como encontrar uma justificativa do disco todo. E Por incrível que pareça a ideia de arranjo veio de mim, tocando a música sozinha em casa. Então, ela começa uma coisa meio sombria e isso foi uma brincadeira minha em casa tocando e que gravei e mandei para o produtor E ele disse ‘não importa o que a gente faça, vai começar assim a música’. Foi muito bom trazer o meu piano como referência. O André pôde trazer o lado metaleiro e o lado Rock and roll dele para criar e demonstrar, a força que essa letra tem. Acho que o refrão é um estouro, falando do que a arte faz. E num disco que é sobre cura e autoestima e que fala também de questões políticas e opressões, falar do amor no final é muito simbólico pra mim.

Me Gusta: E como foi gravar o clipe de “Certas Canções”?

Bruna: O clipe é uma loucura. Quem dirigiu foi a Fernanda Pessoa, O que é uma grande amiga e que fez um filme bem premiado e que está no Netflix, chamado “Histórias Que O Nosso Cinema Não Contava”, que é sobre a pornochanchada na época da ditadura militar e há muitos anos, ela me chamou para fazer um experimento com ela de dança, que ela ia gravar em película 2mm e esse experimento acabou não dando certo para o que ela queria. A gente resgatou esse material que a gente tinha feito, há seis anos atrás e ficamos assistindo aquilo juntas e pensando no que fazer. Aí eu trouxe a canção já pronta, e a gente decidiu gravar novos trechos e ela usou a referência incrível da época dos primeiros filmes do cinema. E então a gente conseguiu reunir visualmente, essa mesma questão da letra, que é dizer o quanto as artes nos libertam e o quanto é bom sempre reverenciar todo tipo de arte. E foi incrível também fazer o clipe dançando. Sempre fui ligada na arte, não só no canto, mas também fazer dança e teatro. Eu fazia tudo que era possível e acho que foi a última vez, este ano, que consegui dançar direito, porque eu já tava grávida quando gravei esse clipe e fiquei muito feliz de me ver desta maneira agora.

Me Gusta: Como surgiu a parceria com Jean Dollabella do Sepultura?

Bruna: Veio pelo André que gosta muito de rock e eu fiquei muito feliz de justamente, em um disco tão clássico cheio de referências brasileiras, trazer alguém do metal e justamente na música do Milton, que é um clássico e que nunca deixará de ser. E acho que faz muito parte do meu trabalho, ter gêneros diferentes e fazer ter sentido quando são combinados. E também acho que não disco onde eu conto histórias que aconteceram comigo e com tantas outras pessoas, não importa muito gênero que cada música toca. O que importa é chegar junto e foi o caso, assim como todos que participaram desse disco.

Capa de “Alívio”

Me Gusta: E como surgiu a parceria com Marcelo Jeneci em “Meu Perdão”?

Bruna: O Jeneci é um grande amigo de muito tempo e ele tocou em quase todos os meus discos. Desde o primeiro ou segundo álbum, o Jeneci está junto, desde antes dele compor e cantar, ou desde antes de eu saber que ele cantava. Eu participei do disco do Jeneci como preparadora vocal dele. Então a gente tem se encontrado muito. Eu queria uma participação dele. Além de músico, ele é uma pessoa fantástica.

Me Gusta: Como surgiu o seu lado atriz?

Bruna: Ele é fundamental como cantora. Eu sinto que se eu não tivesse encontrado o teatro, eu teria parado de cantar, porque mudou tudo. Foi como se eu fosse o patinho feio, e encontrasse o meu lugar, quando encontrei o teatro. Bem antes da primeira minissérie na Globo que eu fiz, participei da oficina de teatro com a Cris Serra, que é diretora de teatro e atriz, e prima da diretora de teatro Bia Muniz (que foi quem dirigiu o espetáculo “Falso Brilhante” de Elis Regina). Depois que eu conheci a Cris, Nunca mais a abandonei, ela dirige todos os meus shows. Pra mim só cantar, não vale a pena. Cantar já é atuar, atuar já é dançar, dançar já é compor e compor já é fazer um filme. Eu cada vez mais gostaria de mergulhar em várias artes de uma vez só. Porque eu vejo que nunca enxerguei as artes como coisas separadas. A música para mim é mais do que só música, é a história, é evolução, é um elemento de união e consciência. A música é o meu motor pra tudo.

Me Gusta: Como foi trabalhar como atriz na série “3 Irmãos” na TV Globo?

Bruna: Acho que talvez foi a experiência mais bonita da minha vida. O convite surgiu ao acaso. Eu nunca me inscrevi e nunca entrei em contato com alguém da Globo, para fazer algum teste. Eu nem me considerava propriamente atriz, quando eu fiz o teste e em um mês minha vida mudou completamente. Me mudei para o Rio, tive de mudar toda minha logística e passei a conviver todos os dias com atores e artistas, que me receberam como alguém da família e como alguém muito capaz de trabalhar e estar a altura deles. A personagem foi um presente, muito diferente de mim e muito parecida ao mesmo tempo. E sei que ainda vão pintar muitas outras oportunidades de trabalhar como atriz e de ser outras. Já apareceram outras oportunidades, algumas possibilidades, mas que esse ano não foram possíveis. Mas aguardem que em breve vocês me verão, seja na TV ou em séries ou no teatro. É uma coisa que está muito dentro de mim.

Me Gusta: Sua relação com os fãs, como é?

Bruna: É muito próxima e tranquila. Felizmente até hoje, muitas poucas vezes algum fã passou a barreira do respeito. Eu consigo muito através das redes sociais, estar mais perto. Nos shows sempre recebo a plateia inteira no camarim depois e pra mim é muito importante. O meu trabalho é muito humano e acho que inclusive, ter todas as artes juntas tem a ver com isso, receber as pessoas e abraçar elas.

Me Gusta: Quais suas principais influências músicais?

Bruna: Obviamente, Elis Regina, que foi quem me ensinou a ver cantar como algo sério. Com certeza Dominguinhos e o Luiz Gonzaga, desde que comecei a tocar sanfona. De cantoras, a Nora Jones e a Maria Bethânia. Hoje me inspiro também em compositores que eu gosto, amigos do 5 à Seco, e o próprio Rubel, que é um amigo. Gosto de ouvir tantas coisas diferentes. Mas de voz acho que as que mais me acalentam são a Norah e a Bethânia.

Me Gusta: Quais os próximos passos da carreira que você pode adiantar?

Bruna: Os próximos passos são uma turnê maravilhosa, até Novembro. Em Dezembro vou parar, depois vou colocar mais uma pessoa no planeta e vai ser uma grande experiência. Entre Dezembro e Janeiro, lanço meu novo livro de poesias e ano que vem retomo a turnê do “Alívio” ou uma nova turnê de música e poesia com o livro novo.

Me Gusta: O que você diria quem está começando na carreira de cantor?

Bruna: Pra todos os cantores populares do mundo eu diria: Estudem. Acho que a técnica e a interpretação são grandes amigas e cantar com a alma, tem tudo a ver com conhecer sua própria voz. É por isso, que eu trabalho com isso e estudo todos os dias da minha vida. Sempre valeu a pena.

Me Gusta Entrevista : Felipe Pezzoni (Banda Eva)

Texto e entrevista por André Rossanez

Uma das maiores bandas da história do Axé Music, a Banda Eva, está comemorando os 40 anos de sucesso.

Para celebrar a data, eles estão lançando o seu novo DVD “EVA 4.0” pela Universal Music, gravado ao vivo em Belo Horizonte. A primeira parte dos áudios já está nas plataformas digitais e em breve, chega a segunda parte.

O Portal Me Gusta teve o privilégio de conversar, por telefone, com o vocalista Felipe Pezzoni. Conversamos sobre o novo trabalho, sobre carreira e a participação de Ivete Sangalo.

Fique por dentro de tudo que conversamos na íntegra.

Portal Me Gusta: Como apareceu a música em sua vida?

Felipe Pezzoni: Apareceu de uma forma muito natural. Meu pai sempre gostou de música e gostava de percussão, ele tocava por hobby. E desde muito novinho, com dez anos eu já tocava e com treze Já comecei a tocar em festa de amigos e do colégio. Então a música sempre teve presente na minha vida. Com quinze anos, comecei a cantar e não parei mais. Minha vida sempre foi dedicada 100% à música. Sempre sonhei e fui focado em fazer o que faço hoje.

Me Gusta: Como é para você ter entrado em uma banda tão querida pelo público e com tanto tempo de carreira, como a Eva?

Felipe: É mágico. O Eva sempre foi a banda com que mais me identifiquei dentro do Axé. Com treze anos ganhei um CD da Banda Eva e eu nem tinha som ainda, porque CD ainda era uma coisa muito recente, e tive que esperar meu pai comprar o som. Quando chegou o som, eu escutava esse CD, dia e noite. Foi o meu primeiro contato com a música baiana e fez parte da minha formação musical. O Eva sempre teve um significado muito forte na minha vida, me acompanhou em todos os momentos e os vocalistas sempre foram referências para mim. Me sinto honrado e realizado em poder também escrever parte dessa história.

Me Gusta: Como foi a escolha do repertório do novo DVD de 40 anos da Banda Eva?

Felipe: Essa é a parte mais difícil. compilar uma história de 40 anos é muito difícil e sempre vai faltar alguma coisa. O que a gente fez foi selecionar as músicas mais marcantes e que a galera mais pede nos shows. E sempre vai ficar faltando alguma, coisa não tem jeito. A gente fez bastante medley também. Essa foi a parte mais complicada.

Me Gusta: Como é trabalhar em grupo na hora de tomar decisões?

Felipe: A gente tem tem um comitê artístico, que a gente pilota, eu e o Marcelinho, que é o produtor musical. Temos autonomia e liberdade para fazer do nosso jeito e ter a nossa personalidade. A liberdade é bem importante e acho que é o maior segredo da Banda Eva. Cada artista que passou, deixou sua marca ali, seu jeito e sua personalidade no seu momento, e isso é o que a gente tá fazendo também. Para decidir músicas que vamos gravar e cantar no show, temos reuniões e decidimos tudo em conjunto, com votações.

Me Gusta: Na canção “Bem Vindo, Amor”, tem a participação e Ivete Sangalo. Como foi gravar com ela e como escolheram a música?

Felipe: A gente convidou a Ivete para participar do DVD, mas ela tinha um show no dia e se prontificou em gravar alguma coisa, para participar de alguma forma. E coincidiu, de a gente ter recebido uma semana antes essa música, e quando recebemos , achamos que era a cara da Ivete e que ficaria incrível com aquele vozeirão dela. Já tava escrito, era pra ser com ela mesmo. A música ficou linda, o pessoal tá gostando pra caramba. Eu sempre tive vontade de gravar com a Ivete e esse sonho se tornou realidade.

Me Gusta: Como foi feita a escolha das participações de Ivete, Wesley Safadão, Léo Santana, Mumuzinho, Durval Lelys e Tomate no DVD?

Felipe: A gente quis trazer um novo olhar. Muita gente perguntou porque não trazemos os ex-cantores do Eva. Isso já tinha acontecido nos 25 anos da banda e a gente queria trazer algo diferente, com um novo olhar e criar novas conexões e trazer outros segmentos pra se conectar com a gente. Cada convidado cantou um clássico e uma inédita. A gente quis dar um novo olhar nesse clássico, e poder misturar com outros segmentos e trazer novas perspectivas para as músicas.

Me Gusta: Como você vê o Axé Music atualmente?

Felipe: O Axé tá bem. Vai bem, obrigado. A gente vê que o pessoal tá rodando para caramba. A agenda do Eva tem de 130 a 140 shows por ano. É muito show. É um segmento que tá solidificado, é uma realidade. Claro que o mercado mudou. Ele é cíclico. Vem e etoura o Axé, o Funk, o Sertanejo, o Forró e aí vem o Axé de volta. Mas vejo com um olhar muito otimista. Desde que assumi o Eva, veja o quanto a gente evoluiu, o Axé evoluiu. Peguei um dos piores momentos na verdade. O Axé tinha meio que caído, o mercado mudou, e as pessoas voltaram a ouvir bastante a música baiana. Sempre vai ter demandam Por quem quer proporcionar experiência de felicidade, de coisa boa e de vibração, a Bahia sempre será lembrada.

Me Gusta: No show você canta e dança bastante. Como é a sua preparação, principalmente para o Carnaval?

Felipe: Já começo minha preparação do Carnaval, a partir de agora. Já intensifico os treinos, os aeróbios, o acompanhamento de fono e do otorrino. Começa agora, porque não é só o Carnaval, é também todo verão e é tudo muito pesado. A preparação começa em Novembro, pois dobra quantidade de shows e a gente precisa aguentar essa maratona.

Me Gusta: Como é a relação com os fãs?

Felipe: É maravilhosa. A gente herda um monte de admiradores e de histórias. A gente se depara com muita história boa. Tem gente que se conheceu pelo Eva e se casou, gente que teve filha com nome de Eva, tem gente que se curou do câncer e que durante o tratamento ouvia a Banda Eva todo dia. Isso é muito gratificante. A gente herda o público, herda fãs e ganhamos fãs. Nosso público tem se renovado e isso é muito bacana também.

Me Gusta: O que você pode adiantar dos próximos passos?

Felipe: já colocamos a primeira parte da comemoração dos 40 anos, nas plataformas digitais e já soltamos três clipes e semanalmente vamos soltando os outros dessa primeira parte. Em Dezembro, a gente pretende soltar a segunda parte desse material.

Me Gusta: O que você diria para os novos cantores que estão começando a carreira?

Felipe: Não é fácil. O mercado da música é muito difícil, muito competitivo. E se tenho um conselho para dar é, Acreditar. Acreditar em si, não depositar seu sonho nos outros e sim em você. Estude, se dedique. Tenha muita perseverança, Por que é muito preciso dela pra viver de música. E trabalhe com a sua verdade. Não faça nada que não te emocione. Se não arrepiar e se não tá emocionando, não faça. Não faça nada só porque tá na moda. Faça só o que tá te emocionando, que você já tá bem à frente e próximo de poder conquistar tudo.

Me Gusta Entrevista : Múcio Botelho (Banda Lupa)

Texto e Entrevista por André Rossanez

Uma das bandas mais incríveis da atualidade, a Banda Lupa, é atração do Rock in Rio na quarta-feira dia 3.

O Portal Me Gusta teve o privilégio de conversar com o vocalista Múcio Botelho ao telefone. O líder da banda de Brasília, falou sobre carreira, música, o novo single “Bixinho” e sobre um dos maiores festivaais musicais do mundo.

Múcio é um cara mega animado e simpático, que ama seu ofício de músico e que transparece toda sua paixão pela música e por seu público, de uma forma especial.

Foto: Instagram de Múcio Botelho

Saiba tudo que conversamos.

Portal Me Gusta: Como surgiu a banda Lupa?

Múcio Botelho: A gente começou em 2013. Eu participava de outra banda, mas não cantava, eu tocava guitarra e compunha as músicas. Sabiam que eu também cantava e me falavam que eu devia cantar. Depois sair da banda que participava e fiquei um ano rodando por Brasília e queria ter uma banda. Mas o negócio era o seguinte, eu não queria alguém que tocasse o mesmo tipo de música que eu. E eu nem sabia que tipo de música queria fazer. E onde eu fui encontrar uma pessoa que procurava? Na casa da minha avó! João que é o baterista, é meu primo, cinco anos mais novo que eu. Ele sabia que tinha um primo que tocava guitarra e eu sabia que tinha um primo que tocava bateria. E achávamos fofo, mas não levávamos a sério. O João tinha uma banda em Brasília e eles tocavam em um campo lá. Pedir para também ensaiar lá e deixaram. Um dia João subiu para tocar comigo e destruiu na bateria. Ele saiu da banda e se juntou comigo. Moy e Lucas também estavam na banda e o André, a gente já conhecia. Um dia ele foi não sou nosso sem saber que a gente ia tocar. Depois de insistirmos, ele quis participar da banda.

Me Gusta: Como surgiu o nome “Lupa”?

Múcio: O nome vem de um festival da Roma Antiga, que acontecia várias noites para celebrar em homenagem ao amor e à fertilidade. E as principais estrelas eram as mulheres romanas, O que eram as Lupas. Elas viraram sinônimo amor carnal, de liberdade, da euforia e do culto da felicidade. E é sobre tudo isso que a gente fala, então daí que veio o nome.

Me Gusta: Qual foi a inspiração para compor o single “Bixinho”?

Múcio: Foi uma doideira. Cada vez o nosso processo de composição está ficando avacalhado. “Bixinho”, saiu em em um dos melhores momentos, quando a a gente foi fazer a nossa primeira turnê pelo Nordeste. A gente foi tocar em Feira de Santana na Bahia num festival, que foi um dos meus shows preferidos. Tinha muitos fãs e a gente não esperava isso. A gente foi recebido com muito carinho e todo mundo chamava a gente de “bixinho”. A gente ia tocar em Manaus no dia seguinte e em menos de 40 minutos no aeroporto, saiu quase a música inteira. Em dois dias já estávamos gravando, era umas duas da madrugada e nem iamos gravar naquele momento, mas achamos que era a hora certo e gravamos.

Foto: Talita Alencar

Me Gusta: Como é a sensação de participar do Rock in Rio? Como vocês têm se preparado?

Múcio: A gente ficou passado, muito felizes. Todo mundo que já tocou guitarra e todo mundo que faz música, já sonhou em um dia tocar no Rock in Rio. Foi uma surpresa para a gente, a gente ainda não tá acreditando. Desde que recebemos a notícia, não consegui fazer mais nada. É algo surreal. Sobre o que a gente está fazendo para se preparar? Não dá pra se preparar, é pouco tempo e a gente fazer tudo mais no improviso. Se a gente pegar e ficar programando o que vamos tocar, não funciona. Então a gente ensaia e vai decidindo. E vai acontecer o que tiver de acontecer. Vai ser uma loucura. Não tem nada preparado. A gente faz música e sempre agarrar as oportunidades. E no Rock in Rio não vai ser diferente.

Me Gusta: Como é o processo de composição?

Múcio: Gosto de ficar sozinho para escrever, tenho um processo mais solitário na real. É sobrevivência. Uma coisa que preciso fazer para me manter saudável. Todas essas últimas músicas que a gente tem lançado, têm saindo no susto, saindo bem rápidas. No primeiro CD, a gente era super encanado. Era aquela história de que tudo tem de sair perfeito, tem que ser impecável. Agora a gente está em uma onda completamente diferente, fazendo tudo com mais calma, não tem cobranças. Do jeito que a gente acha que tem que fazer, a gente faz. Está ficando cada vez melhor.

Me Gusta: Quais são as inspirações musicais da banda?

Múcio: É a coisa mais incrível da história. A gente não se juntou porque gostava das mesmas músicas, não se juntou porque queria fazer um determinado tipo de música. Ficou um zona. Eu sou do rock alternativo, desde sempre. Acho que quanto menos se sabe cantar e o mais esquisito que for ou aparecer, mas eu amo. O Junina é do Arrocha. O Vitor tem a mistura do rock clássico e com eletrônico. O João é mais guitar hero. E o Lucas é do progressivo. Nossas referências são todas tortas, não tem nada claro que você passa colocar na ponta do dedo e falar é isso e isso. Isso nos dá uma liberdade muito grande, porque a gente não tem uma receita para tudo, faz muita coisa diferente. Isso para mim, funciona. Acho que o público hoje, quero consumir conteúdo, ir no show e se divertir. Então a gente pega de tudo um pouco, inventa coisas, junta o que a princípio não deveria estar junto e o negócio dá certo. O rock não é só uma coisa de música de cabeça. Vai se foder! O rock também é para mexer a bunda. A gente tem que conquistar as pessoas pela cabeça também, Mas o que importa é conquistado pelo coração.

Foto: Bruno Pagani

Me Gusta: Como é trabalhar em grupo, na hora de tomar decisões e driblar diferenças de ideia?

Múcio: Às vezes a gente quer se matar, se comer, mas a gente quer casar um com o outro dez vezes no mesmo dia. No fim das contas tudo dá certo. As decisões que a gente toma, realmente, não precisamos nem raciocinar para escolher. A gente não faz as coisas planejando. Enquanto a gente ficou tentando planejar, a gente não foi para nenhum lugar e falamos “Caguei”. Vamos fazer as coisas que a gente quiser, tocar como quiser, fazer o show da maneira que a gente quiser e rodar o Brasil todo, fazendo o melhor show que a gente pode e vai fazer o povo apaixonar. Assim as coisas começam a dar certo. Tá bombando, tá multiplicando. E é por conta de fazermos as coisas de coração e não só com a cabeça. As decisões que tomamos, a gente se junta decide. No ensaio a gente toca senta e só no olhar se entende. Não tem porque discutir. Todo mundo tá lá com a mesma mentalidade e a gente tem a cabeça muito igual. Todos acreditamos na mesma mensagem. E como para gente a música não é um fim, e sim um caminho para a gente chegar nas pessoas, é tudo decidido com sentimento.

Me Gusta: Quais os próximos passos da banda?

Múcio: A gente tá lançando agora a música “Bixinho” e depois do Rock in Rio, a gente vai rodar o Brasil para fazer shows de lançamento. Vamos acordar o Brasil inteiro. Tem mais dois singles pra serem lançados até o final do ano. O nosso foco e objetivo agora a rodar o Brasil. A coisa que a gente mais ama é fazer show, estar em contato com os fãs e fazer as melhores noites. Esse é o maior presente que a gente gosta de dar para o público.

Foto: Renato Mori

Me Gusta: O que você diria para as bandas que estão começando?

Múcio: O conselho para bandas novas é o que eu disse para os meninos quando a gente tava começando. “Pau no Cu” dos Covers. Toca as suas músicas. Escreva suas músicas e convença o público com suas músicas. Mesmo se tiverem tocando mal no começo, façam o melhor show. Ninguém sai de casa só para ouvir música. Você tá competindo com o Netflix, com a balada, com tudo e então, você tem que fazer uma noite incrível pra seus fãs. E faça uma noite incrível pra você. Faça a noite que você gostaria de estar vivendo fora de sua casa, o show que você gostaria de ver e faça esse show. No começo eu não sabia cantar e não conseguia pôr a voz pra fora. Isso não impediu de fazer alguma coisa? De maneira alguma. Tô até indo tocar no Rock in Rio, é surreal. Se você fizer as coisas com o coração e acreditar de verdade na mensagem que você tá querendo passar, tudo vai dar certo. Tudo que você precisa é de gente que acredita em você. A partir do momento que você tiver isso, ninguém te segura!

Me Gusta Entrevista : Gabi Luthai

Texto e entrevista por André Rossanez

O Portal Me Gusta teve o grande privilégio de conversar com a cantora e digital influencer Gabi Luthai, na sede da Universal Music em São Paulo.

Talentosa, a artista está de single novo. “Respire Fundo” é uma canção inspiradora e tem a participação do incrível duo Mar Aberto.

Gabi me recebeu com muita simpatia e bastante acolhedora. Uma garota de olhar brilhante ao conversar e ao falar sobre sua carreira e seu amor pela música.

Nós conversamos sobre carreira, música, inspirações, projetos novos e e “Respire Fundo”. Saiba na íntegra, o que Gabi Luthai contou.

Portal Me Gusta: Como surgiu a música na sua vida?

Gabi Luthai: Desde criancinha eu gostava muito de me expressar. Digo isso, porque eu não era aquelas crianças, que você pega os vídeos da infância e só tem lá eu com o microfone. Não. Tinha eu cantando, eu dançando, atuando e desfilando. Eu falava que desfilava. Altura não tenho, mas eu achava que super dava para ser modelo. Então sempre gostei de me comunicar e sempre fui uma comunicadora nata. A música de fato sempre esteve presente, eu ouvia muita música desde criança e é uma coisa que eu tenho o hábito. E não consigo entender quem não tem o hábito de ouvir música. Mas aos 13 anos ali na pré-adolescência, foi quando comecei a cantar de fato e participei de uma banda da escola, que era uma banda de Pagode. Depois comecei a tocar violão e de fato cantar e tocar em rodas de amigos compor e realmente fazer música.

Me Gusta: Quais são as suas inspirações e processo de composição?

Gabi: Depende bastante. Eu gosto sempre de pensar pra quem eu tô falando. As vezes surge uma ideia, obviamente, porque daí vem uma inspiração que vem e você grava ali um nota de voz. Parece que às vezes vem do além, surge. É uma inspiração que acho que vem de outro plano. Mas quando sento pra compor, eu começo pela harmonia e pelo violão ou começo pela melodia e pela letra mesmo. Mas gosto de pensar, em pra quem tô falando e com quem que estou me comunicando. Então meio que traço um tema ou me apego a alguma história que vivi ou uma história que alguém me contou. Ou eu pego uma história que vivi e mudo completamente. Lembro que quando eu era solteira, tinha um amigo e escrevi uma música pra ele. Se eu mostrasse pra ele e falasse que fiz pra ele, ele ia dizer ‘essa menina é louca, porque não aconteceu nada disso’. Mas acho que é uma licença poética, gosto de ir um pouquinho além e de escrever sim, sobre a realidade, sobre coisas que aconteceram. Mas gosto dessa possibilidade de criar, inventar e reinventar histórias.

Me Gusta: Como surgiu o lado youtuber e digital influencer?

Gabi: Surgiu em 2008, 2009 por aí mais ou menos, quando eu postei o meu primeiro vídeo no You Tube, mas no meu canal mesmo, o primeiro foi em 2010, quando decidi que ia gravar um vídeo cantando, pra que as pessoas me descobrissem. Já gravei querendo que isso acontecesse. Postei assim, “quero que isso aconteça, não sei se vai acontecer, Espero que sim e se não, tudo bem, estou feliz e compartilhando”. O que é bem curioso, é que sou uma pessoa bem extrovertida desde criança, mas no primeiro vídeo eu tô tão travada, que parecia, Meu Deus, que eu estava sendo obrigada e tava tímida. Porque acho que tinha essa coisa da adolescência, do medo da rejeição, do que as pessoas iam pensar. Hoje em dia, tenho isso muito menos, talves em alguns momentos mais de insegurança. Hoje em dia consigo postar uma foto ou qualquer coisa penando que amei a foto e vou postar e aí se as pessoas quiserem falar bem ou mal, tudo bem é a opinião delas. Suriu daí, em 2010 e estou até hoje.

Me Gusta: Qual foi a inspiração ao escrever o novo single “Respire Fundo” com o Mar Aberto?

Gabi: Essa foi uma canção que escrevi com mais três amigos, William Santos Gabriel Rocha e Sabrina Lopes, em um dia no estúdio. A gente foi no estúdio pra compor. Então naquele dia a gente já tinha escrito algumas coisas bem diferentes da ‘Respire Fundo’ e bem no finalzinho da noite, na madrugada já, a gente tava sentado, instrospectivo e mais tranquilos e a gente começou um pouco com a melodia e eu falei ‘pera gente, para tudo, a gente tá falando com quem?’, porque eu fui na minha linha de raciocínio de ‘pra quem tô escrevendo’ e todo mundo não entendeu e eu falei que eu precisava ter isso, Porque nessa altura do campeonato minha cabeça tava um turbilhão de idéias e precisava focar em alguma coisa e eu mesma respondi, ‘a gente tá escrevendo pra um filho’ e todo mundo ‘mas você não tem filho’ e eu disse ‘sim, não tenho, mas se eu tivesse um filho, e tivesse uma única mensagem pra passar pra ele, seria essa’. Aí nasceu “Respire Fundo”.

Me Gusta: Como surgiu a parceria com o duo Mar Aberto? E como foi gravar o clipe?

Gabi: O convite para o Mar Aberto participar da música surgiu quando eu decidi gravar essa minha composição e eu sou muito fã do trabalho deles e muito amiga deles, e eu falei ‘amigos, vamos fazer uma música juntos?’ e eles já tinham escutado a música, porque eu já tinha compartilhado com eles. E eles disseram ‘a gente super topa, porque a gente adorou essa música e vai ser demais’. Quando a gente tava criando o roteiro do clipe, eu e o diretor (o André) estávamos na Califórnia escrevendo e eu achei que a gente tinha tinha que ir um pouco mais além. A música passa muita leveza e a mensagem é para você espalhar o amor e fazer o bem. E que se a vida te convida pra dançar um ritmo descontrolado e injusto, respire fundo, que você abre o seu coração para o mundo de possibilidades. Quando você respira fundo e fecha os olhos, você volta pro seu centro e se equilibra. E como fazer isso de uma maneira bem atual? Surgiu a ideia de abordar a temática de tecnologia e redes sociais, e que de fato a gente tá o tempo todo conectado demais, mas muitas vezes se percebe desconectado do mundo e até de si mesmo. Daí, surgiu o clipe, pra trazer um pouco mais de peso pra isso, uma reflexão mesmo. Você já sabe que é pra espalhar o amor e fazer o bem e todo mundo fala ‘respire fundo’, mas será que quando você vê isso se identifica e vê que talvez esteja deixando sua vida passar no automático? Será que não é melhor você parar pra respirar mesmo?

Gabi Luthai e o duo Mar Aberto

Me Gusta: Como é pra você participar e apoiar o movimento do Setembro Amarelo e o CVV (Centro de Valorização da Vida)?

Gabi: No ano passado eu já tinha falado do Setembro Amarelo, nas minhas redes sociais. Pouca gente sabe. Esse ano foi bem legal, percebi que até o momento muitas pessoas estão falando sobre isso, porque é urgente falar sobre saúde mental, sobre depressão e até mesmo sobre gatilhos para o suicídio. Ano passado quando falei, percebi que muitas pessoas ainda acham até hoje, que depressão é brincadeira, que não é sério. E talvez queiram julgar o quanto o outro tá sofrendo. Passei por um processo, onde meu atual noivo, teve depressão por um ano e meio. Viver com alguém que tem depressão é muito difícil e doloroso. Você se vê sem saída. Muita gente me pergunta isso e recebo muitos relatos e eu compartilho nas redes também. Você não tem o que fazer, se sente de mãos atadas porque o outro tá sofrendo e você não consegue ir lá e arrancar a dor do outro. Depois que a gente passou por tudo isso, o Téo já tava em processo terapêutico e nós dois fazíamos terapia, cada um a sua. Eu passei por uns seis meses, que meu psiquiatra considerou depressão e foi difícil. Eu não tinha vontade de nada, cheguei a tomar remédio, mas o meu foi muito mais rápido. Acho que o Téo, tava sofrendo tanto que eu, não me permitia sofrer, porque ele precisava de mim. Depois que a gente passou por isso e tava com uma vida mais leve e mais gostosa e tranquila, escrevi ‘Respire Fundo’, que veio nesse meu momento de leveza. Depois que a gente passou por isso e fez esse clipe que fala de redes sociais, e com um monte de gente falando do tema e do excesso de informação e ansiedade e tudo o que isso nos causa e likes e mais likes, eu falei ‘preciso abordar isso esse ano de uma maneira mais enfática’, porque é importante concientizar as pessoas sobre esse problema. Se fala muito sobre outras temáticas, como o Outubro Rosa, porque não falar de saúde mental e abordar isso com a devida importância?

Me Gusta: Quais são as suas maiores inspirações na música? Com quem gostaria de dividir o palco?

Gabi: Tenho muitas inspirações. Amo música e então escuto muita gente. Pra resumir bem, eu sou muito fã da cena da MPB antiga e de Bossa Nova. Gosto muito de Tom Jobim e de Elis Regina. E falando do atual, eu amo Sandy e Junior, o atual da Sandy também, o solo, a Sandy pra mim é perfeita. Luan Santana é um artista que gosto muito, acompanho toda a trajetória dele e gosto muito de como ele amarra tudo na carreira, além da música dele que me toca. Eu sou muito eclética, então é bem difícil responder essa pergunta. Acho que o Ed Sheeran também, o John Mayer, Colbie Caillat. Então, tem um pouco de tudo. Eu gosto muito também de música latina. Essas são minhas referências. E parceria musical, eu gostaria muito do Luan e da Sandy.

Me Gusta: Como é sua relação com os fãs e as redes sociais?

Gabi: Eu me considero bem ativa e tento ser o mais participativa possível e realmente ter uma troca e não só passar informações, dar conteúdo e só falar. Eu gosto de postar uma foto e perceber os comentários e responder. Gosto de ser um pouco mais acessível. Eu não acredito nessa coisa do artista inacessível. Tem gente que diz o que o artista tem que ser inacessível para gerar mais desejo. Mas antes de ser artista eu sou um ser humano, então eu não quero que meus fãs me vejam com um estigma, uma personalidade que eles nunca vão ter acesso, pelo contrário. Gosto de me mostrar bastante acessível. Eu estou aqui fazendo minha música e compartilhando com vocês, mas quero que vocês me vejam como ser humano, por isso que gosto de ser bastante ativa e manter contato.

Me Gusta: Em 2014, você fez a versão em português de “Corre”, um dos maiores sucessos da dupla mexicana Jesse y Joy. Como foi fazer sua versão?

Gabi: Essa música é maravilhosa. E é difícil fazer a versão de um grande sucesso. Acho que na verdade é uma super responsabilidade, pra você não fazer e o público que conhece a versão original dizer, “meu Deus, como você estragou a música”. Então eu senti na pele essa responsabilidade. Mas eu acho que o bacana dessa versão é que as pessoas me falam “adoro a versão original e também adoro sua versão”. Os que não conheciam a versão original, gostaram da minha versão também. As pessoas gostaram muito, não teve muita rejeição. Não fiquei me prendendo muito a isso, eu falei “vou fazer e tentar ser o mais fiel possível, porque gosto muito dessa música, pela letra que ela tem e então não tem porque eu desfigurar” e eu trouxe ela para o meu universo.

Me Gusta: Quais os próximos passos da carreira?

Gabi: Eu tenho mais singles pra serem lançados. Só não sei se vou lançar esse ano ou no começo do ano que vem, porque eu quero entender como é que vai ser a “Respire Fundo” e realmente ficar nesse momento respirando, sem pressa, com paciência. Mas quando digo sem pressa, não é que eu tô de braços cruzados sem fazer nada. Eu já tô bolando mais coisas, tem outras composições, tem música que já tá pronta e estou definindo o momento certo para lançar. Mas meu próximo passo e sair em viagem com meu projeto “Por Aí Com Gabi”, que é um projeto que eu viajo pelo mundo e conheço vários países e culturas. Eu fiz durante 90 dias pela Ásia de Dezembro a Março, e agora vou fazer nos próximos dois meses pela Europa. O público que me acompanha vai poder entrar um pouco mais nesse universo de viagens e da minha percepção mesmo dos lugares. Eu gosto muito de conhecer cidadezinha as pequenas, e coisas que estão um pouco fora da rota do turismo convencional. Acho que isso faz eu me descobrir como pessoa e ter essa oportunidade de conhecer novos horizontes, novas culturas e pessoas que tem uma percepção diferente, além da língua e de serem de outro país. Isso acrescenta muito como ser humano. Esse é o meu próximo projeto, o “Gabi Por Aí Europa” e depois mais músicas.

Me Gusta: Como você vê a questão do empoderamento feminino?

Gabi: Acho que ele vem sendo cada vez mais forte. Eu lembro disso, quando surgiu Paula Fernandes e começaram a surgir as mulheres na cena sertaneja mesmo, não tanto pela questão das letras, porque elas são consideradas de empoderamento feminino. Mas acho que foi a cena de um universo de negócios, business que era muito masculina. Só se viam artistas grandes masculinos, tirando a Ivete, a Claudinha e outros nomes já consagrados. Acho que alí, a mulher já começou a se mostrar e já marcar presença e falar “agora não vai ser mais só homens, não”. Acho que isso é muito positivo de uma maneira geral. Existem homens e homens, assim como mulheres e mulheres, é uma questão de ser humano. Mas a questão do empoderamento feminino é realmente mostrar para a sociedade que a mulher desde sempre fez e faz coisas que os homens também fazem. E elas precisão e merecem ter o devido reconhecimento. Acho que esta é realmente a questão. Não é começar uma guerra dos sexos, é uma questão de igualdade mesmo, e acima de tudo, de respeito.

Me Gusta: Qual a melhor parte de ser cantora?

Gabi: Eu amo tanto isso. Acho que no meu caso, é acima de tudo fazer o que eu amo. Posso passar horas e horas gravando em estudio que eu saio de lá e penso “que dia maravilhoso, estou cansada, mas foi perfeito”. Agradeço a Deus a cada minuto, por eu estar fazendo o que amo. Da vida de cantora, mexer com a emoção das pessoas é muito gostoso. É uma recompensa você criar uma coisa que vem do seu coração, é muito especial. Acredito que para todos que criam algo, é muito especial perceber que isso toca na vida das pessoas, que vai além do seu universo. Então, isso é de fato algo muito gratificante.

Me Gusta: O que você diria aos novos cantores?

Gabi: Diria que antes de tudo respire fundo e persista, porque não necessariamente as coisas vão acontecer no momento em que você espera. Mas se você tiver um trabalho sólido, coeso, com coerência e bastante autenticidade e verdade, o resultado vem. E mais do que o resultado, o fato de você se enxergar naquilo que você faz, te trás uma realização pessoal, que vai além do resultado e do sucesso que os outros conseguem perceber em você.

Eu com Gabi Luthai após a entrevista

É sempre muito bacana quando vemos uma artista tão jovem, que ama e respira música e que tem uma visão tão bacana e inspiradora do mundo e da arte.

Ao conversar com Gabi, sentimos todo o amor que ela sente pela música e por seu público. Além de talentosa, ela é extremamente simpática e cativante. Sua trajetória nos inspira, a não desistir dos nossos sonhos e fazer tudo que amamos com o coração aberto.

Coletiva de Imprensa – Christian Chávez

Texto e fotos por André Rossanez

O cantor mexicano mais amado do Brasil, Christian Chávez está no Brasil para se apresentar no Sábado (14) em São Paulo no Teatro Gamado.

O Portal Me Gusta teve o privilégio de participar da Coletiva de Imprensa do cantor no teatro em que ele se apresentará.

Christian falou de sua carreira, do Brasil, sua arte e sobre sua evolução como artista.

Antes de começar a responder a imprensa, o cantor agradeceu a todos. “Obrigado Brasil. Obrigado por sempre ter espaço para falar comigo, e sobre o meu trabalho. Agradeço muito, muito a cada um de vocês. Obrigado pela oportunidade de poder compartilhar nesse sábado, com gente tão importante pra mim e pra muitas pessoas. Espero que todos desfrutam muito”.

Fique por dentro de tudo que ele nos contou.

Música favorita do EP ‘Conectados’

“Dizer uma música preferida do EP é difícil. É por isso que ele é um EP, são apenas quatro canções e são muito especiais. Acho que essa é a magia do EP, compartilhar e escolher as músicas que você gosta e adora. Porque quando você faz um disco todo com muitas músicas, você sabe que tem umas quatro ou cinco mais fortes, então pra mim um EP é mais conciso.

Segunda Temporada de Casa das Flores do Netflix

“Não posso falar muito de Casa das Flores, porque apenas em Outubro eles lançam a segunda temporada. Por questões de contrato não posso dizer muito. Mas o que posso falar, é que vai ser um personagem que vai ficar no coração e na história dos melodramas latinos. É um personagem muito forte importante para mim. Foi o projeto mais difícil que já fiz ou imaginei fazer na minha carreira. Foi um ano complicado, mas agora posso olhar para trás e ver que foi um trabalho maravilhoso e eu tinha muita vontade de trabalhar com o Manolo Caro, que é o diretor e produtor.

Na música brasileira, o que Christian escuta mais?

“Jorge e Mateus. Eu gosto muito de sertanejo. Quando era mais jovem, eu gostava mais do Funk, e agora gosto mais do Sertanejo”.

Experiência de morar no Brasil

“Quero fazer mais coisas autorais aqui no Brasil. Morei aqui faz quase cinco anos e foi maravilhoso. Eu morava na Rua Jandira, em Moema e foi muito legal. A verdade é que morar no Brasil é completamente distinto do que vir para visitar. Mas foi maravilhoso, adorei. E conheci muita gente que agora faz parte da minha família pra sempre. Eu quero voltar, quero trabalhar e fazer mais coisas aqui no Brasil”.

Do RBD até aqui, qual a maior evolução que você consegue enxergar em si mesmo?

“Foi uma fase que ficou no meu coração. E vou continuar sendo sendo esse menino louco com os cabelos multicoloridos, brincando o tempo todo, fazendo brincadeiras. Mas agora tenho mais idade e a vida muito mais corrida e posso fazer o que eu quero ir pra onde gosto de caminhar na minha carreira. Agora sou a mesma pessoa, mas sou mais inteligente. E não que eu fosse doido, mas eu era mais jovem. E essa maturidade a gente vai ver no show, tanto no vocal como na presença de palco. É uma coisa distinta agora, mas com a mesma essência”.

Christian já ficou com algum fã brasileiro?

“Eu nunca fiquei com fãs brasileiros, nem qualquer outro fã, porque acho estranho. Todos somos seres humanos normais, e quando você conhece alguém e esta pessoa fala que é muito seu fã, meio que dá medo porque as pessoas Tenho uma ideia de você. Pra mim, em específico, é muito estranho, é tipo como ‘não sei transar comigo mesmo’, é uma coisa muito estranha.

Situação mais inusitada no Brasil

“Acho que foi na primeira vez que vem ao Brasil, com meu trabalho solo. Vim com minha mãe e minha irmã, e um dia escutamos muito barulho, eram os bombeiros e parecia ser um incêndio no hotel, mas era umas fãs que tentavam escalar para me ver e ficaram lá. Agora falando é engraçado, mas no momento não. Foi uma coisa muito louca, muito doida. E depois fui falar com elas”.

Atuar em novelas brasileiras

“Acho que tudo depende do personagem. Agora a verdade é que a carreira mudou para escolher projetos, escolher mais os personagens e mais as histórias. Ter uma história e um personagem que tenha o que dizer definitivamente pras pessoas. Agora tô me dando mais tempo pra poder escolher. Mas eu tenho muita vontade de vir trabalhar no Brasil como ator. Já me chamaram, mas eu não quero fazer qualquer coisa. Quero fazer algo que realmente seja bom”.

Trabalhar sozinho e em grupo

“Acho que o lado ruim de trabalhar sozinho é que você está sozinho. Sobretudo quando você tá em grupo, e tá viajando com as pessoas e compartilhando com eles. Se alguém está mal, você está lá apoiando o amigo. Mas também a pior parte de trabalhar em grupo é que não é somente suas ideias e seu jeito de ver as coisas, são mais cinco cabeças diferentes e muitas vezes é complicado. É como a vida me ensinou. Tudo tem seu pró e seu contra”.

Novela ‘Like’

“Acho que o preconceito do pessoal achar que era um novo RBD, foi o que fudeu tudo. Mas era uma coisa completamente distinta e uma aposta que o Pedro Damian e a Televisa tinham. A verdade é que muita gente gostou, curtiu e achou uma boa história. Posso dizer, da minha parte, que o Gabo (personagem dele) é um professor muito importante, porque sempre achei que os professores podiam mudar e tocar a vida dos jovens e muitos fizeram isso por mim. Era muito importante pra mim. Infelizmente, acho que foi a forma que se planejou o projeto. Eles quiseram tocar em muitos temas e trazer muitos personagens jovens, tanto personagem que não se desenvolviam muito a história desses adolescentes. Foi uma posta de Pedro e fiquei muito contente com o convite e com meu trabalho. Mas vou falar, não vou me privar de falar, o RBD nunca vai voltar. O que tô falando é que não vai se repetir essa magia, foi diferente e com proposta distinta. E Rebelde é Rebelde”

Houve preconceito na época de Rebelde com sua sexualidade?

“Não. Nem por parte dos meus companheiros, nem pelo diretor ou produtores. Desde que eu comecei a trabalhar com o Pedro Damian, não só em Rebelde, mas antes no Classe 406, eles conheciam minha sexualidade. Nunca sente nem preconceito e nem alguma coisa estranha. Pelo contrário.

Os Fãs Brasileiros

“Eles sempre estão aí nos bons e maus momentos. E sempre estão lá pra te dar um conselho, ou pra compartilhar algo ou pra chorar. Então acho que os fãs brasileiros, precisam de um novo nome, porque uma coisa que o brasileiro é, é mais do que isso.

Emcomoda perguntarem tanto sobre o RBD, mesmo com a carreira solo?

“Não, porque a coisa é que Rebelde, me fez famoso internacionalmente, Então foi uma época na minha vida em que fui muito, muito feliz. E agora estou fazendo coisas autorais e coisas distintas. Mas é uma coisa que estou passando para o novo público, e que talvez não seja o mesmo que assistiu Rebelde e é fã ou que era fã do RBD. São coisas distintas, mas eu não fico chateado não e cansado de falar no RBD, pelo contrário. Sou sempre agradecido”

Como é ver tantos fãs ainda falando no RBD e até pedindo um retorno do grupo?

“É muito especial. Se você pensar faz mais de 13 anos de Rebelde e continuar tocando tanto as gerações, desde quando Rebelde estava na televisão, nos fascina e é estranho, mas é muito bom. Rebelde não é uma coisa que você vê na TV e diz ‘nossa eu lembro’, é uma coisa ainda muito recente e atual, ainda muito atual. É uma coisa muito linda também conhecer novos fãs, que têm 5 ou 6 anos e você fala ‘como pó? já passou tanto tempo’. E esse fascínio e ter essa energia e ver como foi importante Rebelde pra gente e pras pessoas é incrível”

Quem do mundo artístico o inspirou a ser artista

“Adoro os Beatles e acho que a pessoa que mais me inspirou foi o John Lennon e os Beatles no geral. Acho que eles transformaram o que era a música pop e experimentaram coisas muito legais com as músicas e com o estilo e a moda. Acho que também eles tinham essa mensagem de paz e de luz e respeito e de não brigar e isso me inspirou muito e à todos do RBD”

Novos projetos

“Estou pensando em fazer um ‘ConectaDOS’ e vão ter muitas surpresas. Como já falei, adoro o povo brasileiro e as músicas brasileiras. Agora também vamos fazer algumas misturas. Acho que estão acontecendo coisas, com o Reggaeton, com a musica urbana e quero fazer muita coisa de mariachi mexicano que vai ficar muito bom.

Realmente é uma experiência única conhecer melhor um artista tão talentoso e sensível. E é muito bonito ver a simpatia de Christian e como os olhos dele brilham ao falar de sua arte, de seus fãs brasileiros e de nosso país.

Particularmente foi uma emoção muito grande, poder conhecer de perto e entrevistar um artista, que sempre admirei tanto.

Christian Chávez é sucesso por seu talento e sua luz e também pela sua maneira de ser, de tratar seus fãs com carinho e por suas canções tão marcantes. Um artista incrível e um ser humano único.

Me Gusta Entrevista : Aldair Playboy

Um dos maiores artistas do Funk atual Aldair Playboy lança o seu não novo EP “Batidão do Playboy 3”. E o Portal Me Gusta teve a felicidade de fazer uma entrevista por e-mail com este cantor incrível.

Aldair falou do novo trabalho, de carreira e do single “Aquele Amor”. Saiba tudo o que ele contou na íntegra.

Portal Me Gusta: Como surgiu a música na sua vida?

Aldair Playboy: Sempre curti música e foi meio natural me envolver nisso tudo. Não existe um ponto específico, desde pequeno me interesso por música.

Me Gusta: Como foi escolher o repertório do novo EP?

Aldair: É trabalhoso, não vou negar, precisamos escutar várias músicas até chegar na seleção das que vamos gravar e divulgar. Dá trabalho, mas é bom demais!

Me Gusta: Como apareceu a canção “Aquele Amor”? E como foi a escolha dela como single?

Aldair: Sempre fazemos uma relação de músicas que chegam através dos compositores. Quando ouvi me chamou muita atenção e resolvemos colocar no repertório e junto com a gravadora escolhemos ela agora para trabalho!

Me Gusta: Quais são suas maiores inspirações musicais?

Aldair: Gosto muito do Wesley Safadão e do Chris Brown.

Me Gusta: Você teve grande sucesso com “Amor Falso”. Como é pra você ter a repercussão toda que ela teve?

Aldair: O hit chegou ao 12º lugar no ranking “Global Viral 50” do Spotify, ficou entre as 30 na categoria “viral” no Paraguai e no ranking das 50 mais tocadas em Portugal. Toda essa repercussão me motivou a fazer novos trabalhos e me deu a certeza de que estamos no caminho certo.

Me Gusta: Como você vê o Funk atualmente?

Aldair: O funk tá ganhando espaço e está mostrando que não é um som de periferia, comunidade. Agora nas principais casas noturnas das grandes capitais brasileiras você já escuta na pista de dança um batidão, é muito legal.

Me Gusta: Qual a melhor parte da carreira de cantor? E a mais difícil?

Aldair: A parte legal é fazer o que se gosta e saber que esse trabalho de um jeito ou de outro marca a vida de algumas pessoas e o mais difícil é a agenda corrida e o tempo livre que diminui bastante, e muitas vezes fico longe da minha esposa e filhos.

Me Gusta: Sua música foi viral em locais como Japão, Paraguai, Portugal e Uruguai. Você tem planos de carreira internacional? E como foi saber que sua música chegou a lugares tão distintos?

Aldair: Agora com a internet ficou bem mais fácil de mostrar nosso trabalho em qualquer lugar do mundo, isso é bom. Já fiz alguns shows fora do Brasil e é bacana levar nossa música para outros lugares.

Me Gusta: Dentro do que você puder adiantar, quais os próximos passos da carreira?

Aldair: Olha, todos os projetos quando vão se tornando reais vou divulgando nas redes sociais, todas as novidades posto lá.

Me Gusta Entrevista : PH e Michel

Texto e entrevista por André Rossanez

A primeira parte do novo trabalho ao vivo de PH e Michel, “Rolê Diferente 2.0”, já está disponível nas plataformas digitais pela Universal Music e o Portal Me Gusta e teve o privilégio de conversar com a por telefone.

O novo trabalho tem canções inéditas, além dos hits “Disk Recaída” e “Céu Da Sua Boca”. Felipe Araújo e Belo são as participações especiais desta primeira parte. Na segunda, teremos Marrone e Lauana Prado.

As perguntas foram respondidas uma parte por PH e outra por Michel. Fique por dentro de tudo que eles falaram sobre carreira, música sertaneja e detalhes de “Rolê Diferente 2.0”

Portal Me Gusta: Como a música apareceu na vida de vocês?

Michel: A gente desde criança, tanto eu como o PH, sempre despertou o interesse pelo violão e por música. Nossas famílias sempre escutaram muito sertanejo em casa e é engraçado, porque nas nossas famílias não tinham músicos, somos os únicos. Eu quando criança pedi um violão para o meu pai e o PH também pediu um violão para o pai dele. O PH ganhou o violão, aprendeu a tocar, foi despertando o interesse e levava o violão para a escola e o pai dele o levava para participar em programas de TV. A nossa história é bem parecida.

Me Gusta: Vocês fizeram parte da banda Tróia. Como foi a transição de serem de um grupo e se tornarem uma dupla?

Michel: Já no grupo a gente fazia a primeira e a segunda voz e fazia um dueto até nos bastidores, brincava de cantar primeira e segunda voz. Chegou um momento em que nosso empresário resolveu terminar a banda e fez a proposta de a gente fomar a dupla. Foi algo já bem pensado por ele e foi conversando isso com a gente. Foi bem natural. A gente já vinha do sertanejo mesmo antes da banda. O PH já teve uma dupla com o Felipe Araújo e já fazia segunda voz. E eu cantava solo. A gente já tinha o sertanejo na veia, foi muito natural.

Me Gusta: Como é fazer a segunda voz?

PH: Assim que eu comecei a cantar, cantava sozinho. O meu primeiro trabalho profissional mesmo, foi na minha dupla com o Felipe Araújo, que chamava João Pedro e Felipe, e naquele momento a gente conversou e achou que era melhor eu fazer a segunda voz e eu tive que Aprender. Até hoje tô aprendendo também. Eu m apaixonei pela segunda voz e me espelho muito em outros cantores que fazem segunda voz, como o Victor (de Victor e Léo) e Marrone (de Bruno e Marrone). Na banda com o Michel eu já fazia a segunda voz e assim ficou. Quando a gente formou a dupla, já era algo natural nos bastidores, nos churrascos com as famílias e amigos. E já fazia segunda voz.

Me Gusta: Como foi escolher o repertório do projeto “Rolê Diferente 2.0”?

PH: A gente escutou músicas de compositores de todo o Brasil. A gente escutou muitas músicas, mais de mil, teho certeza. Foi um trabalho onde a gente ficou meses ouvindo as músicas dos e fizemos esse repertório com muito cuidado é muito carinho. Ficou legal demais.

Me Gusta: Como surgiu a parceria com o cantor Belo em “Eu Me Acostumei”?

PH: A gente já era fã de toda a história dele, desse grande artista que ele é. A gente tinha alguns conhecidos em comum e pedimos para esses conhecidos que fizessem essa ponte e apresentassem nosso trabalho pra ele. O Belo gostou bastante do nosso trabalho e a gente mostrou a música que queríamos gravar com ele e ele se apaixonou pela música e deu tudo certo. “Eu Me Acostumei” é uma das principais músicas desse trabalho e a gente gosta demais.

Me Gusta: Como foi a escolha de “Casal Saideira” para a participação de Felipe Araújo?

PH: O Felipe Araújo cantava comigo, então a gente tem uma amizade de muitos anos e aí quando a gente decidiu que ia gravar esse DVD, ele falou “eu não aceito não participar desse DVD” e então a gente mandou algumas músicas pra ele e ele escolheu “Casal Saideira”. O pessoal vai ouvir e gostar de mais.

Me Gusta: Vocês vêm de um grande sucesso que foi o single “Céu da Boca”. Como surgiu a canção e como foi gravar o vídeo?

PH: Essa música foi gravada primeiro no nosso DVD “Rolê Diferente”, nosso segundo da carreira. A gravamos junto com “Disk Recaída”, que foi outro sucesso nosso. E essa música é uma composição de um dos nossos empresários, que ajuda muito a gente na questão de repertório, o Rayner Souza e assim que a gente pôs a voz nessa música, já percebeu que ficaria muito bacana. Aí a gente gravou ela nesse novo DVD e decidiu colocar ela em clipe também. Ficou muito bacana e a gente gravou aqui em Goiânia. O clipe teve a participação da Rafa Kalimann e do próprio Marrone e ficou um trabalho muito bacana.

Me Gusta: “Rolê Diferente 2.0” foi dividido em duas partes. Como foi escolher quais canções estariam em cada parte?

PH: A gente resolver fazer tipo um balanceamento, a gente não quis nem colocar só músicas animadas na primeira e nem só músicas românticas na primeira parte. Então teve esse balanceamento com músicas agitadas e românticas e também com as participações. O Belo e o Felipe Araújo nessa primeira e na segunda a participação do Marrone e também da Lauana Prado.

Me Gusta: Como vocês vêm o sertanejo atualmente?

PH: O Sertanejo é um estilo que só cresce por não ter preconceito e por se juntar com vários estilos musicais e chamar pessoas de outros gêneros para fazer parcerias. A gente mesmo, chamou o Belo, que é um grande ícone do Pagode. O Sertanejo cresce por causa disso também, por não ter preconceito e aceitar que outros estilos possam acrescentar a ele também.

Me Gusta: Quais são as suas maiores inspirações na Música Sertaneja?

PH: Eu e o Michel, entramos em consenso de duas duplas como maiores inspirações. Bruno e Marrone e Jorge e Mateus.

Me Gusta: Como é a relação de vocês com os fãs?

PH: A gente tem uma relação muito próxima com nossos fãs. Inclusive temos um grupo com as fãs no WhatsApp e falamos diretamente com elas. Muitos dos nossos fãs vão aos nossos shows, acompanham a gente viajam para ver nossos shows.

Me Gusta: Como vocês fazem na hora de escolher repertório, para chegarem a um consenso em comum entre os dois?

PH: Cada um de nós escuta várias músicas e mostra pra vários amigos. A gente chega em uma reunião, por exemplo, e mostra essas músicas e depois coloca em votação. A gente pega aquelas músicas que a gente escutou e gostou, e coloca nossa voz. Porque às vezes uma música que a gente gosta de escutar fica boa na voz da outra pessoa e na nossa voz não fica tão bom. E às vezes não é muito boa na voz da outra pessoa e na nossa voz a música cresce. A gente sempre procura colocar as músicas na nossa voz pra sentir se aquela música é pra gente mesmo ou não.

Me Gusta: Quais os próximos passos?

PH: Nosso foco total esse ano é o DVD “Rolê Diferente 2.0”, que é o nosso terceiro. E é um momento muito especial na nossa carreira, é o momento em que a gente se sente mais preparados. É um DVD que fizemos com muito carinho mesmo e que tem tantas participações muito especiais e pessoas que somos muito fãs. O repertório a gente escolheu a dedo por meses e temos certeza que os fãs vão gostar demais.

Me Gusta: Qual é a melhor parte da carreira de cantor?

PH: A melhor parte é a hora que a gente entra no palco e que as pessoas estão esperando a gente. É o show mesmo.

Me Gusta: O que diriam pra quem está começando como cantor ou dupla?

PH: Não desista do sonho. Procure sempre trabalhar, escutar músicas boas, escolher bem o repertório e se preocupar bastante com o trabalho. Uma hora a oportunidade aparece e tem que estar preparado.

Me Gusta Entrevista : Limonge

Texto e entrevista por André Rossanez

O Portal Me Gusta teve o privilégio de conversar em São Paulo com Limonge, um grande cantor e compositor responsável por trazer canções que nos inspira e com letras incríveis.

No dia 10 de Agosto, o artista gravou seu DVD do show “Sobre Viver” na capital paulista, com os sucessos de seu repertório. Um dia inesquecível e especial.

Conheça melhor Limonge e sua arte e saiba os detalhes de sua carreira, sua música, suas inspirações e de seu DVD. Confira tudo o que conversamos na íntegra.

Foto: Patrícia Scavone

Portal Me Gusta: Como apareceu a música na sua vida?

Limonge: Acho que ela não apareceu, ela meio que nasceu. Eu me lembro de querer ser músico desde que me conheço por gente, meu primeiro sonho. Vou contar uma história que raramente conto. Quando eu era moleque, com uns 3 anos, a primeira lembrança que eu tenho, é que eu não gostava de ver desenho, eu gostava de ver o VHS do Lulu Santos, de um show que ele fazia não lembro onde e ele suava, pingava e eu tinha uma guitarrinha de palhaço e eu ficava tocando em frente à televisão. Quando ele começava a suar, eu ia para debaixo da torneira, molhava minha cabeça e dizia que eu era o Lulu suadão e voltava para a televisão para tocar junto com ele. Acho que a música nasceu comigo. Eu sempre quis ser o Lulu Santos e as pessoas que eu idolatrava. Eu nunca tive outro sonho na vida, senão de ser músico. Deixei ele guardado na gaveta por muito tempo, por conta desse lance de que “você precisa ganhar dinheiro”, “a sociedade não gosta de artistas e tralala”. Então eu só abri o armário da música, há cerca de três anos. Mas a música é a minha essência e não consigo me ver sem a música.

Me Gusta: Como é seu processo de composição e suas inspirações?

Limonge: É muito baseado em questões autobiográficas. Passei por muitas coisas na vida em questão familiar e em questão pessoal e gosto de ser visceral nas letras. Gosto de contar minha história. Mas não no sentido autobiográfico puro, do negócio das pessoas olharem falarem ‘nossa, coitado dele’. Eu quero que as pessoas se enxerguem nas letras. Tento sempre colocar no prisma, onde a pessoa quando ouve consiga se colocar no lugar daquela música. Então, as temáticas que a bordo tento sempre pensar, “essa letra pode ajudar alguém, representar uma mudança na vida da pessoa, pode ser um mantra para alguém”. Tento sempre compor pensando nisso. O processo de composição é pegar o que eu passei e tentar transformar em algo que as pessoas sintam, e passam. Minha premissa musical é essa, e quando eu vejo que consigo isso, de alguma forma, me faz um bem danado. Se eu pudesse te dar um exemplo de processo de composição é esse. Eu não tenho meio que um processo de “preciso sentar à noite e escrever”, não. Acho que simplesmente o negócio bate e vem. Posso estar aqui, pegar o violão e de repente fazer algo. Então a música vem, não é uma coisa montada ou que eu fale “preciso compor sobre isso”. Acho que a música vem pedindo uma letra, ela só vem. Não gosto de dizer que a música é minha. Ela vem para alguém e quando ela chega na pessoa certa, fico feliz.

Foto: Patrícia Scavone

Me Gusta: No primeiro álbum da sua carreira, foi você quem fez a produção e mixagem. Como foi a sua experiência?

Limonge: O primeiro disco fiz sozinho. quando eu fui produzir esse disco, eu estava em outra profissão, eu era publicitário. Eu não tinha tempo e nem grana para pegar um produtor, então eu meio que fui aprendendo aos pouquinhos, a fazer as minhas próprias coisas. Eu montei um home studio, que era uma plaquinha, um teclado e uma guitarra e comecei a gravar algumas coisas. Eu pegava algumas composições e ia decupando elas e isso foi ao longo de um tempo. Disso saiu o primeiro EP em 2015, para alguns amigos e acabou dando super certo. As pessoas que eu não conhecia vinham me dizer que gostaram das músicas e eu falei “acho que isso pode dar jogo”. Peguei e fiz mais algumas músicas nesse mesmo formato e lancei como o primeiro álbum, que na verdade é uma compilação de muita coisa que eu tinha feito ao longo do tempo e não tinha dado a devida atenção. Acabou dando super certo. Gosto bastante desse álbum, ele é a minha cara porque produzi sozinho, porém eu gostaria de ter tentado coisas novas, que ao meu alcance não eram viáveis ainda, pois tinha uma limitação. Nunca tinha feito um curso nem nada, eu fui bem autodidata e no segundo álbum consegui botar isso de uma forma mais incisiva e quero continuar nessa linha produtiva. Mas foi esse primeiro álbum que me botou no mundo, então eu sou bem grato por conta disso. E foi um processo bem legal. Acho que todo músico tem que tentar experimentar, mesmo que ele não consiga fazer da forma que ele quer. É um passo importante.

Me Gusta: Como surgiu a música “Humano” e como foi gravar o clipe na Paulista? Como apareceu a ideia de contracenar com um dinossauro?

Limonge: Essa música é um retrato do que eu enxergo do nosso momento atual. Acho que a gente está cada vez mais olhando para o nosso próprio umbigo e o resultado disso, é o resultado das últimas eleições. Eu tentei tratar isso de uma forma leve e mostrando que apesar da gente evoluir, a gente tá caminhando para a extinção. A gente evolui em alguns pontos e regride em outros patéticos. A história da música é essa. o que sinto nesse último período e o que tô vendo que a gente está caminhando para seguir. A ideia era botar o Bolsonaro e Donald Trump junto com o dinossauro, e mostrar que a gente está caminhando por esse processo inverso à evolução. Mas aí me convenceram a não usar essas duas figuras, por motivo de processo e acabou ficando só o dinossauro. Mas acho que ele simboliza esse momento que a gente está vivendo, e essas pessoas que a gente tá encarando no momento.

Me Gusta: Como surgiu a música “Tudo Vai Passar”? E a ideia de toda renda de 2018 com a música, ser revertida pra instituição CVV,?

Limonge: Eu tenho depressão e essa música surgiu num dos piores períodos que eu passei, onde não via uma luz no fim do túnel. E eu pensei que precisava de alguma coisa que me desse essa luz. Então compus isso, como meio que “já passei por coisas piores e passou, rntão vamos manter o foco e a força, que vai passar”. E ela nasceu disso. A ideia da doação para o CVV, é porque acredito que tem muita gente que menospreza a depressão, e essa foi uma forma de eu retribuir e ajudar a quem precisa, através dessa música, porque ela nasceu para isso. Achei justo ter uma forma de devolver a força que ela me deu, mesmo que não fosse através da própria música, para alguém que precise. Acho que é um projeto super valorizado e que precisa dessa valorização e dessa ajuda. Então, acredito que foi uma forma de retribuir a força que essa música me deu, para um projeto que pode ajudar outras pessoas que estão passando pelo mesmo problema.

Foto: Patrícia Scavone

Me Gusta: Ao final do clipe da música “Tudo Vai Passar”, vemos a participação de pessoas que seguram algumas placas com mensagens. Como elas foram escolhidas?

Limonge: São meus fãs. São pessoas que já acompanhavam o meu trabalho. Fiz um grupo no WhatsApp com essas pessoas e foram elas que pediram para essa música ganhar um clipe. minha ideia nem era fazer um clipe para essa música, porque ela é muito visceral e mexe muito comigo. E na hora que elas pediram, eu disse “só vou fazer se vocês participarem também e vamos fazer essa corrente para mostrar que todo mundo pode ajudar todo mundo”. Foi uma criação em conjunto. Posso te dizer que as pessoas que estão próximas a mim, e que são minhas fãs, participam de forma ativa da minha carreira e gosto de propor a elas, em tudo que vou fazer. Seja um single, um projeto, um set list de show, elas participam ativamente. e foi essa cocriação que acabou dando super certo. Tanto que a música ganhou outro direcionamento, e hoje tem pessoas que usam ela, para uma série de coisas que não a depressão, ao passar por outros momentos de dificuldade eu quero que seja. Tiveram duas pessoas que vieram de Belo Horizonte para gravação do DVD, por conta dessa música e porque elas estavam passando por um problema difícil e foi muito legal. Acho que quando a gente abre o coração, para que as pessoas que estão próximas, participem do seu processo, tem tudo para dar certo. E foi isso que fez essa música ganhar esse tamanho todo.

Me Gusta: Como foi escolher o repertório do DVD “Sobre Viver”?

Limonge: Eu tenho muita música que ainda não lancei e queria por muita coisa inédita. Mas eu pensei “não é o momento ainda, acho que preciso produzir com mais calma essas coisas, porque quero experimentar mais”. Meio que coloquei no papel todas as músicas que eu tinha lançado, seja em EP, ou em outros projetos anteriores ou no meu último álbum e joguei para galera e falei “o que vocês queriam ouvir ao vivo, quais são as suas favoritas?” E nisso fui pegando o feedback dos fãs e das pessoas próximas, e foi isso que fez o set list ficar pronto. É óbvio que tinham algumas que eu fazia questão e todas foram escolhidas. Mas as músicas finais do DVD foram as pessoas que escolheram, porque gostam ou porque se sentem representadas por um momento. Foi uma cocriação. Foi difícil e complicado. Mas fiquei muito feliz com o resultado. Tudo o que eu fiz de melhor está lá e estou ansioso para soltar isso logo.

Me Gusta: Como surgiu a parceria com Criston Lucas, o vocalista da banda Versalle?

Limonge: Já tinha contato com ele há algum tempo, não tão próximo. Mas sempre fui fã, desde que vi eles no “PopStar”. Aliás foi o programa “PopStar” que me atiçou essa coisinha de “preciso voltar a tocar”. E prestes a gravar o DVD eu disse, “vou convidar algumas pessoas que admiro e vou ver o que rola”. E ele era uma dessas pessoas. Eu mandei a música, conseguiu o contato dele e mandei uma mensagem de ‘Se você quiser participar, eu sou super fã da Versalle, curto pra caramba seu projeto e sua voz, vê o que acha e me diz”. Ele super curtiu, topou e disse “cara, eu quero participar achei foda”. Acho que todo mundo tem que ser de vez em quando ‘cara de pau’ assim. Foi assim que consegui. óbvio que a Versalle tá em outro patamar frente ao meu momento, mas se os músicos forem um pouquinho mais ‘caras de pau” e chegarem próximos às pessoas que realmente admiram, com verdade, dá certo.

Foto: Patrícia Scavone

Me Gusta: Quais são suas maiores inspirações musicais?

Limonge: Lulu Santos, começou com tudo e me fez me enxergar como músico. Flutuo muito com Lenine. Djavan moudou um pouco do meu caráter. De gringos, o Pearl Jam, Foo Fighteras e Oasis. Do independente brasileiro, Versalle, Zimbra, Plutao Já Foi Planeta, são bandas que admiro pra caramba, gosto pra cacete. E tem os parceiros de estrada, Gabi, Vamos, Felipe D’Orázio, que participaram inclusive do meu DVD. É uma miscelânea gigantesca e tem muita coisa. Isso resume um pouco.

Me Gusta: Como você vê o atual cenário musical independente?

Limonge: Vejo que é um cenário que tem um potencial gigantesco. A gente tem muito caminho para ser explorado, mas é um cenário muito pouco unido. Sinto falta dessa união do independente. Sei que tem bandas que criaram cenas próprias, tem bandas que fazem tour juntas e conquistam juntas. Mas tem bandas que não são tão grandes e ainda estão na caminhada e em ascensão, e que realmente enxergam as outras como competidoras, e isso é prejudicial pra cacete. Por que a galera acha “vou roubar o fã dela e ela vai roubar meu fã”, e aí não querem fazer um show juntos ou fazer um feat. Acho que se a gente tivesse mais união e os artistas se enxergassem como apoiadores e não como competidores, a gente conseguiria ir muito mais longe. A internet ajuda demais, mas se a gente não se une para apresentar um negócio de forma conjunta, nada funciona. Se tivesse mais união, certamente a gente ia mais longe.

Me Gusta: como surgiu as faixas “SAC Da Minha Vida”?

Limonge: Pra ser sincero é uma das músicas que eu menos gosto das que lancei. Eu meio que fui convencido em lançar por conta dos fãs. Ela nasceu de um dos dias mais medonhos que tive na vida, em que tudo que podia dar de errado aconteceu e eu disse que precisava de um SAC para ligar e reclamar da minha vida e escrevei ela a partir disso. Sendo sincera não é uma das minhas favoritas, mas acho que ela tem um lugarzinho no meu coração. Teve gente que pediu para colocar ela no DVD, mas acho que fugia muito da linha que eu tava trabalhando, e preferi não, porque ia ser uma queda.

Foto: Facebook Oficial Limonge

Me Gusta: Qual é a melhor e a pior parte na carreira de músico?

Limonge: A pior acho que é você não se sentir valorizado em determinados momentos. Você buscar o seu espaço e saber que se dedicou horrores, e que às vezes você trabalha mais que muita gente, e as pessoas acham que por você ser músico, você é um vagabundo e que tá ‘mamando nas tetas do governo’, esse tipo de coisa que é comum hoje em dia os artistas ouvirem. Ainda mas hoje no momento que a gente tá vivendo. Esse é um lado bem ruim, principalmente quando a grana aperta. Porque hoje a gente é remunerado através de show, de merch e de plataformas de streaming, o que não tem retorno tão grande. Você pode ter números absurdos de plays, mas o retorno é baixo. É complicado você sobreviver só de música hoje. Mas o lado positivo é que me trouxe pessoas incríveis e pessoas que têm histórias incríveis. Cada vez que eu recebo uma mensagem falando ‘sua música me ajudou para cacete’, ‘sua música salvou meu dia’ ou ‘essa sua música conta um pedaço da minha história que nunca imaginei reviver’, eu vejo que tudo valeu a pena. Cada vez eu vejo mais que não tô na música por causa da grana, eu tô na música porque eu amo. Onde que a gente precisa de grana pra sobreviver, mas se eu tiver o mínimo tô feliz. Acho que o melhor lado é você saber que pode mudar a vida de alguém e o pior, é saber que existem pessoas que não enxergam isso como uma profissão.

Me Gusta: Você ter sido publicitário, hoje em dia ajuda de alguma forma na carreira?

Limonge: Ajuda. Tive um background grande de publicidade e, querendo ou não, isso ajuda a pensar em ações de lançamento, em anúncios que você pode fazer, em coisas que você pode aproveitar nas redes sociais para estimular visualizações. Óbvio que se não tiver verdade no que você tá fazendo, não vai dar certo, mas é um ponto positivo, agrega. Tem muita coisa que aprendi com empresas e podem ser utilizadas na música, e acho que se mais pessoas estudassem e utilizassem as redes sociais pensando na música como um negócio, conseguiriam ir mais longe. Mas não é só isso. Tem o lance da verdade da música, o lance do relacionamento e uma série de pontos que precisam serem trabalhados, não só a publicidade. Mas ela é um dos pilares para que você possa sustentar a sua carreira. Agrega muito, mas não é só isso.

Foto: Facebook Oficial Limonge

Me Gusta: Quais os próximos passos na carreira?

Limonge: O DVD vai sair até o final de Setembro. A previsão é essa. Vai ter uma tour para celebrar esse lançamento. Até o final do ano vai ser só DVD. A minha ideia é que a partir do ano que vem, já vem uma nova leva de singles. Já tô tentando fechar uma produtora e já tem algumas músicas na gaveta, que tão bem diferentes das que lancei até aqui. Óbvio que a temática se mantém um pouco próxima, mas quero experimentar coisas novas, propor coisas novas. Acho que vai ser uma evolução frente ao que foi. Eu tô bem ansioso para chegar nesse momento. No momento ainda tô naquela fase de ‘eu quero o DVD e ver como ficou’, mas pós DVD já tô com algumas coisas na manga, esperando só para sair.

Me Gusta: O que você diz aos cantores que estão em início de carreira?

Limonge: Não desiste, não postargue. Eu demorei muito pra começar, comecei velho. Então talvez se eu tivesse o pensamento que tenho hoje, eu tivesse arriscado antes e estaria em outro momento ou teria antecipado esses momentos. Então se você sente que essa é a sua verdade e que você nasceu pra isso, se joga de cabeça. Você tem que viver o seu sonho. Se você não faz isso, você vai ser uma pessoa frustrada pra sempre. Grana é importante, dá pra tentar conciliar e fazer com que isso se torne um segundo trabalho, por algum tempo. Mas não postarga. Vive o seu sonho e arrisca. Porque no final, mesmo que venham 1, 2, 3, 10 ou 20 pessoas, e você sentir que você ajudou alguém e que alguém gostou do seu trabalho, a ponto de te acompanhar, é que tudo valeu a pena. Segue nessa que é bom demais.

Eu com Limonge após a entrevista

Limonge é o tipo de artista que consegue com muita naturalidade tocar o nosso coração, através de suas letras e de sua voz gostosa de ouvir.

É muito bacana ver o entusiasmo e o amor pela música, através dos olhos do artista. Além de talentoso ele é um cara muito gente boa, simpático, comunicativo e tem muita coisa interessante em contar.

O Portal Me Gusta aposta todas as fichas em Limonge. E você, com certeza vai querer ouvir muitas e muitas vezes suas belas canções.

– Obs:

Aproveito para convidar a todos a conhecerem o trabalho do Centro de Valorização da Vida, o CVV, que ajuda no apoio emocional e na prevenção contra o suicídio.

Acesse: https://www.cvv.org.br/

Se você precisar de ajuda do CVV, ligue para o número 188 ou entre no site

Coletiva de Imprensa – Léo Santana

Texto e fotos por André Rossanez

Nessa quarta-feira, 14 aconteceu em São Paulo a coletiva de imprensa de Léo Santana para falar sobre a gravação do novo DVD, “Pegada do Gigante”.

Prestes a gravar o novo projeto no dia 15, o artista reuniu a imprensa no Credicard Hall, mesma casa em que acontece o show.

O Portal Me Gusta esteve lá e vai contar tudo o que rolou, você vai ficar por dentro dos detalhes do novo show e da carreira do cantor.

Jhay Cortez

Uma das participações especiais do novo DVD de Léo Santana pela Universal Music, é o cantor porto-riquenho Jhay Cortez. Léo falou um pouco sobre a escolha do artista latino.

“Jhay é uma promessa. Eu e a gravadora dizemos que ele é novo J Balvin, o novo Nicky Jam e a próxima Anitta para o mundo. Antes de virar cantor ele é compositor e tem diversos sucessos com essa galera toda (J Balvin, Nicky Jam). E como uma promessa, a gravadora trouxe Jhay Cortez, e eu já ouvia ele, mas não associava à pessoa. Sou muito fã da Música Latina, mas não sabia quem ele era. A gravadora juntamente com o Miguel, que é o nosso diretor da Universal Music, disse ‘esse é Jhay Cortez que vem crescendo muito’ e eu fui pesquisar e vi que ele tinha números absurdos nas plataformas digitais e no You Tube”.

Léo conta que a princípio até pensou em trazer algum artista maior como J Balvin, Maluma e Ozuna, porém achou muito interessante a ideia de trazer alguém menos conhecido, que agregasse ao trabalho e vestisse a camisa e que fosse uma promessa da música.

E sobre a música escolhida, o cantor revelou “Mostrei a música pro Jhay e ele já pirou na música. É um Reggaeton, a cara dele. É um papo urbano, um papo reto e muita gente vai se identificar. Tipo, ‘se estão falando mal de você, cague pra isso, tipo, finge que não tá vendo’. A música fala bem disso e é bem legal. Ele adorou e tenho certeza que vai agradar muita gente. Ele é uma promessa tem tudo para dar certo”.

Produção

Nesse novo DVD, Léo Santana participou ativamente de todo o processo de produção e parte visual.

Ele conta que tudo tem um dedo do Léo e revela “Sou taurino, e taurino tem um lance de perfeccionista assim, de ser muito ansioso, às vezes impaciente, ignorante, no bom sentido. Parte musical, parte de estrutura, cenografia, luz. Tudo. A gente vem planejando isso há mais de dois meses”.

O cantor inclusive cancelou uma turnê nos Estados Unidos para focar no DVD. Ele quis fazer algo para impactar e surpreender realmente o público. Participou de todo o processo dentro daquilo que entendia. Ele conta que a parte musical foi 100% pensada por ele, desde os arranjos até as danças, juntamente com toda a sua equipe que o acompanha a quase 10 anos e com a direção musical do show.

Preparo

Léo Santana é um artista que dança e canta em suas apresentações. Perguntei a ele como é o seu preparo para aguentar a maratona de shows e para a gravação do DVD.

“Tô lesionado com quatro ligamentos rompidos no tornozelo, já fazem seis meses e até hoje não estou 100% e ainda sinto dor”, conta Léo. “Tô me preparando fisicamente e psicologicamente, porque se o psicológico não tá bem não adianta, tudo te incomoda. Mesmo com dor, me preparo com fisioterapia e exercícios de fortalecimento de tonos”.

O artista também revela, “Minha preparação é mais alimentar. Perdi alguns quilos para esse DVD, inclusive também por causa da lesão. Quanto mais pesado eu esteja, maior é a força e dói mais e isso acaba limitando um pouco. Então perdi alguns quilinhos. A preparação é mais alimentar e faço bastante aeróbico. Conciliar a dança com o canto algo difícil. Não vou generalizar, mas para mim, para as pessoas que dançam e viram cantores, fica mais fácil, tipo eu. Antes de cantar eu já dançava e isso já facilitou, as respirações não incomodam mais, eu não me canso mais dançando e cantando”.

Repertório

O repertório do novo DVD, é composto por 18 canções inéditas e 3 regravações. Léo friza que escolher o repertório é complicado e delicado. Ele quis fazer um repertório com qual o seu público se identificasse através de um papo reto e que represente as pessoas no dia a dia delas. Pensando também da parte comercial.

“Creio que acertei no repertório desse DVD, porque modestia parte, eu sou muito chato e já errei muito em repertório e eu não quero mais errar. Claro que, uma vez ou outra, a gente vai dar um deslize, mas não quero mais que isso aconteça. Tô trabalhando arduamente para que cada música, cada repertório seja um sucesso”.

O cantor revela que é ótimo quando consegue emplacar um hit. Porém o hit pode vir e passar, porém o sucesso é algo que chega, toca as pessoas e permanece por muito tempo, pra sempre.

Expectativas

Léo Santana conta estar ansioso para a gravação como todo taurino. Ele está “a mil, a milhão”. Está ansioso para que tudo dê certo, que saia bem e que todo conjunto do show deixe as pessoas felizes.

“As expectativas são as melhores. Estamos trabalhando arduamente para que tudo dê certo. São meses e meses de trabalho e se for falar do primeiro DVD pra esse, são anos de trabalho. Então, não tem porque dar algo errado e agora é seguir em frente, pôr tudo em prática o que a gente planejou e aguardar para que chegue na casa de vocês”, revela Léo.

DVD

Léo Santana falou um pouco sobre a preparação do DVD e o que podemos esperar. “Preparamos algo bem diferente de tudo que já fizemos, pensando muito nos fãs”, conta.

Sua produção preparou audições e sorteios para que os fãs tivessem a oportunidade de participar desse momento. As ações foram feitas através dos fã-clubes.

Léo contou que já tinha diversas músicas arquivadas e que não tinham ainda sido lançadas. Muitas dessas estarão no DVD. Foram enviadas também diversas canções e algumas estarão no repertório.

Sobre a sonoridade do show, Léo revela, “Tá bem misturado, bem mesclado. Mas vamos botar que de 100%, 80% é o Léo Pagodão. É a minha verdade, é o que sei fazer. Mas sempre misturado com algo. Meu agodão misturado com Funk, com Reggaeton com Rap, com Hip Hop. São sons que fazem parte do meu cotidiano como ouvinte”.

Léo também destacou o balé. “Vocês vão ficar impressionados com o balé que a gente preparou para esse DVD. Tá diferenciado, literalmente”

Levada Do Gigante

Léo contou sobre o conceito por detrás do título do DVD, “Levada do Gigante”.

O artista gravou com diversos artistas e diversos estilos, e ele se sente muito feliz por assim, poder mostrar que não é um artista de apenas um segmento e sim da música como um todo.

“O som que eu levo e acredito, e que vocês conhecem o Léo Santana, através dele é um som periférico, o som da Boa Vista do Lobato, o som do subúrbio do Oligario de Salvador. Tô aqui englobando porque lá tem diversas periferias. É o meu Pagodão que quero que todo mundo conheça”, conta Léo.

Ele completa “É é muito difícil fazer esse som chegar a diversos lugares e eu venho quebrando as barreiras aos poucos, venho acreditando que isso é possível e venho insistindo e mostrando. Agora tem que ser ousado, não só o que a periferia consome, mas sim o que o mercado consome. Então, eu tenho a liberdade de não me prender ao meu som e ao que minha galera, meu público do Pagodão de Salvador quer ouvir. Porque se eu ficar preso a isso não vou evoluir”.

Definindo o que é a Pegada do Gigante, Léo é enfático. “É claro que não vou deixar de fazer o meu pagode, até porque esse DVD é isso. Tem a característica que engloba a levada de cantar na festa do peão de Barretos, de cantar no carnaval de Salvador, a pegada do gigante de cantar aqui no Credicard Hall, de cantar numa pool party. A levada do gigante é basicamente isso. Funk, Pagode, Axé, Samba, Sertanejo, Pop, Hip Hop e Rap. Não quero me rotular, eu sou músico”.

Anitta

A participação mais esperada deste DVD é a da cantora Anitta. Léo Santana contou que serão duas canções. Uma no estilo Reggaeton e outra uma mistura de Pagodão e Funk.

Sobre Anitta, ele conta “Ela está empolgadíssima com as canções. Ela até me parabenizou, ‘cara, você só me mandou músicas boas, parabéns! Você tá mesmo empenhado nisso, em acertar o repertório’ e eu digo: é, o negão não tá para brincadeira não”.

Ele ainda disse “A a gente veio mesmo para mostrar que estamos no mercado. Então são duas canções. Uma mais sensual, mas coxa com coxa. E uma mais “vai Anitta, faz aquela sua famosa frase de você achou que eu não ia rebolar minha raba hoje?’. Então vai ter esses dois momentos com ela”.

Internet e Haters

Léo Santana contou também como lida com as críticas na internet e com os famosos haters.

O cantor brinca, “Sobre as críticas, eu fico muito chateado, porque eu não leio nenhuma”.

“Sendo muito sincero, eu não me apego a isso. Tenho tantas coisas boas ao meu redor. Tenho uma família incrível, tenho uma equipe incrível e tenho uma áurea modestamente incrível. Sou um cara super bem resolvido. A não ser que seja construtiva. Se for negativa, aí eu não vou ler. Se você me criticar de uma forma inteligente de uma forma íntegra eu vou te agradecer e tudo. Mas se for me desrespeitando, me difamando eu vou ignorar”.

Léo ainda completa,”Certas mentiras e certas notas, a gente é ser humano e não é de ferro, incomodam um pouco. Você fica ‘pô, falaram isso de mim, logo eu’. Então tem coisas que acabam incomodando, mas eu não absorvo. Vai incomodar aqui, esqueço, aí toma um copo de cerveja e já foi. Me dou super bem quanto a isso. Não sou de ficar na negatividade. Sou um cara super positivo e otimista pra caramba, o tempo todo”.

Representatividade

Um dos singles mais recentes de Léo Santana é “Pretinho Tipo A” com o cantor Thiaguinho.

O clipe da música tem um elenco 100% negro e fala de representatividade e orgulho. Léo, falou um pouco sobre tudo isso.

“A responsa é muito grande e tenho total sentimento, conhecimento disso. Gravei esse clipe e eu que tive a ideia. Até então ia ser um clipe eu e o Thiaguinho como protagonistas, mas eu tive a ideia em cima da hora de ‘porque não elenco ser todo negro?’. E teve gente que achou arriscado e quis saber se eu tinha receio. Eu disse ‘essa é a minha verdade, é o que represento’. Eu venho de um lugar que é praticamente 100% negro. Já gravei clipe com todo tipo de pessoa e não tenho nada que provar para ninguém. Porque eu já sou a prova disso. Então ‘vamos gravar só com negros, vai ser incrível’. Chamamos a miss Raíssa, Cris Vianna quero matriz que representa a gente de forma íntegra e brilhante, o Zulu, Neguinho Black, só peça rara”.

Léo continua “o Pagodão da Bahia é um som periférico e negro, é um som de representatividade, desde o Ilê Aiê até os blocos afros com som percurssivo, que acaba atraindo multidões de todas as raças e todas as crenças. eu como um deles,me sinto abençoado por poder dar continuidade a tudo isso, o que os ancestrais vem fazendo. eu me sinto lisonjeado em ser um dos representantes. Tenho muito orgulho de ser negro e sempre tento representar isso”.

Foi um privilégio participar da coletiva de imprensa de Léo Santana. Foi muito bonito ver um artista, que ama tanto o seu trabalho e a música, e que faz de tudo para que a sua arte, faça diferença na vida do seu público.

Léo é extremamente simpático, caloroso, divertido e alto astral. Um cara totalmente pé no chão e simples. Um artista completo, que leva felicidade por onde passa. E é muito bom ver a preocupação dele com a qualidade musical de sua obra.

Eu com Léo Santana após a coletiva

Me Gusta Entrevista : Bryan Behr

Texto e entrevista por André Rossanez

O Portal Me Gusta aposta todas as fichas, na nova aposta da Universal Music, Bryan Behr. Um cantor super talentoso e que escreve letras sensíveis e muito belas.

Tivemos o privilégio de conversar com o artista por telefone. Ele me contou detalhes de sua carreira, suas canções e do seu novo “EP2019”, que dá um gostinho do seu novo álbum que está por vir por meados do fim do ano .

Através de sua voz, pude perceber o amor de Bryan por seu trabalho e pela música. Além de ele ser super simpático e simples.

Foto: Washington Possato

Saiba na íntegra, tudo o que conversamos e conheça melhor esse grande artista.

Portal Me Gusta: Como surgiu a música na sua vida?

Bryan Behr: Começou com a escrita. Comecei a escrever e nesse meio tempo, ganhei um violão dos meus pais e eu não sabia e queria aprender a tocar obviamente, mas o que eu mais gostava era ouvir. Então eu comecei a escrever as minhas músicas, quando comecei a tocar os primeiros acordes. Me apaixonei de verdade por música, quando eu ouvi “Dois” do Legião Urbana na casa de um primo. Meus pais ouviam muita música regionalista gaúcha, e então eu cresci nesse meio. E quando ouvi o “Dois” do Legião na sala do meu primo, que me despertou a vontade de compor. Eu fiquei encantado pelo jeito com o qual Renato Russo organizava as palavras nas músicas, como ele rimava e por suas melodias. Era uma maneira muito bonita, então quando ganhei esse violão dos meus pais, eu comecei a escrever as minhas músicas também.

Me Gusta: Quais são as inspirações na hora de compor e como é o processo de composição?

Bryan: Eu componho de vários jeitos. A maioria das vezes é no violão. Geralmente faço a melodia e vou organizando as palavras dentro das métricas. Mas às vezes surge de uma história que ouvi, de uma coisa que vivi. Eu gosto sempre de escrever sobre coisas reais, que aconteceram mesmo, então a maioria das vezes que escrevi foi dessa maneira.

Foto: Washington Possato

Me Gusta: Como foi escolher o repertório do “EP 2019”? O lançamento do “EP2019” e no dia 9, teve algum motivo ou foi coincidência?

Bryan: É uma coincidência essa coisa com o 9. Foi fácil escolher as músicas. Na verdade, a gente queria gravar um disco e começamos com a ideia do EP. “Da Cor do Girassol” e “Bem Que Me Avisei” iam já para o disco e a ideia era dessas duas músicas estarem no EP e com o tempo depois de testar outras possibilidades e de escrever algumas coisas, eu junto com o Lobo e o Juliano Cortuah, que é o produtor do disco, chegamos em “Sua Canção Preferida”, que é uma das músicas, que particularmente, eu mais gosto.

Me Gusta: Como surgiu a música “Sua Canção Favorita”?

Bryan: Eu trabalhava em uma loja de instrumentos em Brusque, Santa Catarina. Eu trabalhava junto com uma menina, uma amiga de trabalho e quando tocou uma música na rádio da loja, Ela se emocionou e eu não entendi o porquê. A gente começou a conversar e ela falou que quando ouvia a música, lembrava do pai que tinha falecido há um tempo. E ela me contou sobre as coisas que eles faziam juntos, onde ele levava ela e as coisas que ele ensinava para ela e tudo mais. Aquilo me tocou muito. Então foi para casa e comecei a escrever sobre os dois. Surgiu da história de uma amiga.

Foto: Washington Possato

Me Gusta: Qual foi a inspiração na composição de “Da Cor do Girassol”?

Bryan: Em 2016, fiquei um ano sem compor, sem colocar a caneta no papel pra nada. Foi um tempo muito tenso na minha vida, sofri de depressão e quis dar a volta por cima. Depois que eu tinha me recuperado e dando a volta por cima, quis escrever sobre isso, porque eu sabia que muitas pessoas viviam a mesma coisa. Quando passei por isso, por essa doença, ninguém sabia como lidar comigo, o que falar e como me amparar. Então eu decidi escrever a música como se fosse um abraço em forma de canção, para eu poder abraçar as pessoas que também passam por isso. Esse é o papel dessa música.

Me Gusta: Como é a relação com os fãs?

Bryan: No começo eu tinha até um grupo nas redes sociais, onde eu colocava as pessoas mais engajadas no meu trabalho, que mais comentavam e me acompanhavam nos shows. Eu gostava muito que eles também participassem das escolhas, de capa de disco, de músicas no show e tudo mais. Sempre gosto de colocar essas pessoas dentro das minhas decisões de trabalho, e acho isso muito importante e bacana. É uma relação muito feliz que a gente tem.

Foto: Washington Possato

Me Gusta: Quais são suas maiores inspirações da música? Com quem gostaria de dividir o palco?

Bryan: Acho que essa resposta, responde às duas perguntas. Eu sou muito fã de Caetano, gosto muito do Lenine e sou fã de carteirinha do Nando Reis. Internacionalmente falando, gosto muito de James Morrison. seria um sonho e uma realização gigantesca, se eu pudesse dividir o palco com qualquer uma dessas pessoas.

Me Gusta: Dentro do que você puder adiantar Quais são os próximos passos da carreira?

Bryan: Tem o lançamento do EP e a ideia é entrar em estúdio para gravar o disco agora. O EP é uma fração do disco, para quem quer saber como estou me direcionando, artisticamente falando. A ideia agora é essa, gravar o disco e depois montar uma turnê e sair cantando essas músicas ao vivo.

Capa de “EP 2019” – Foto: Washington Possato

Me Gusta: E o que podemos esperar do show?

Bryan: A gente vai poder trabalhar em alguns formatos. Eu gosto muito de levar o show com outros músicos, mas também gosto de levar as músicas como elas vieram para mim, com voz e violão. A gente vai rodar bastante cantando por aí.

Me Gusta Entrevista : João Gabriel

Texto e entrevista por André Rossanez

João Gabriel é um dos maiores e melhores cantores do Sertanejo atual e acaba de lançar trabalho ao vivo pela Universal Music.

O Portal Me Gusta teve o privilégio de conversar com ele por telefone sobre sua carreira e o novo DVD e EP “João Gabriel no Morro”, já disponível nas plataformas digitais e com participação de Dilsinho e MC Maneirinho.

Saiba tudo que conversamos na íntegra e conheça ainda mais esse grande cantor, que além de muito talentoso é carismático, simpático e ama a música. Amor esse que consegui perceber em seu tom de voz ao falar de seu trabalho.

Obs: Devido a um problema técnico de áudio, a primeira resposta da entrevista estará em texto corrido e as demais, as falas do artista estão devidamente transcritas.

Portal Me Gusta: Como surgiu o amor pela música na sua vida?

João Gabriel sempre foi incentivado pelo pai que era muito ligado a música e foi através dele que surgiu sua paixão por essa arte tão linda. Desde pequeno já cantava e gravou o primeiro disco aos 10 anos de idade. João escutava muito as músicas da dupla Leandro e Leonardo, que foi a primeira influência sertaneja para que ele cantasse o estilo.

Me Gusta: Como surgiu a oportunidade e como foi ter a música “Eu Quero Sempre Mais” na trilha sonora da novela ‘O Outro lado do Paraíso’?

João Gabriel: Meu sonho era gravar em Neshville. Acho que o sonho de todo cantor é gravar lá. Tive a oportunidade de viajar para Nashville e gravei duas versões. Uma delas foi essa. Na época eu era da Som Livre eles gostaram demais da música e chegaram até a direção musical da Globo e mostraram a faixa. Eles acharam que tinha tudo haver com a trilha de “O Outro lado do Paraíso” uma novela com filmagens mas no campo. E “Eu Quero Sempre Mais” foi esse presente, de eles gostarem e colocarem na novela. Pra mim era um grande sonho participar de uma novela. Os meus ídolos sempre emplacaram músicas em novelas das 9, e de todos os horários. E foi uma felicidade imensa, ainda mais sendo uma música composta por mim e com o astral de Neshville, que também foi uma viagem inesquecível. Foi um momento muito bacana.

Me Gusta: Como foi escolher o repertório do EP “João Gabriel no Morro”?

João Gabriel: Esse repertório surgiu com o contato com o Blener Maycom, que é um dos maiores produtores do Brasil que revelou Cristiano, Araújo Felipe Araújo e Naiara Azevedo. Numa e da minha para Goiânia conhecer o Blener, que já conhecia o meu trabalho que faço aqui no Rio de Janeiro há um tempo. E ficamos nesse namoro de meados do ano passado até esse ano. Agora em Janeiro, sentamos e Blener me apresentou um lado mais comercial da música sertaneja, o que tava rolando no momento e o que o público, não somente das grandes capitais, mas de todo o Brasil, ia começar a aderir e curtir. Ele é um cara muito antenado nisso. A gente começou a escutar as músicas e chegamos nesse repertório, que para mim é o melhor que já fiz até hoje. E foi uma outra surpresa também cantar no Morro da Urca. na hora de pensar em gravar as imagens um dos nossos sócios falou ‘tenho um contato no Morro da Urca e podemos fazer lá’ e foi incrível. O repertório todo feito pelo Blener, por mim e por Waléria Leão, aqui também é um grande nome da música. Foi tudo pensado pela produção desse DVD mesmo. Um repertório muito pensado. A gente escutou muitas músicas para chegar nessas seis.

João Gabriel e Dilsinho

Me Gusta: Como foi gravar “Pézin Na Rua” com Dilsinho e “Rebola Sem Pressa” com o MC Maneirinho?

João Gabriel: Eu escolhi dois amigos. O Dilsinho é meu amigo há muitos anos, a gente tem uma amizade de mais de 8 anos. É uma grande amigo e torcemos muito pelo sucesso um do outro. docinho chegou em um momento bem indo para na carreira dele no momento que ele sempre sonhou e na hora que pintou a música falei ‘cara, essa música já virou um pagodinho, já virou pagodejo. Dá para colocar uma sanfona e um cavaco, e dá para convidar esse irmão que é o Dilsinho’. quando mostrei a música para ele foi na hora que ele aceitou e estar perto dele para mim é sempre muito bacana. Ele tem uma energia limpa e é um cara com um carisma maravilhoso. É uma energia muito boa. Foi fantástico gravar com ele. O MC Maneirinho mora em frente à minha casa, no condomínio em frente. Maneirinho é um cara com quem tomo sempre cerveja aqui na praia. Engraçado que apesar de eu ser sertanejo, moro na beira da praia. Às vezes eu tô no quintal de casa encontro com Maneirinho e tomamos cerveja juntos. E quando pintou a música “Rebola Sem Pressa”, ele curtiu pra caramba. Foram gravações com amigos, então é aquela energia mesmo, aquela verdade que a gente acaba gravando e passando para o público, de verdade.

João Gabriel e MC Maneirinho

Me Gusta: “Lovezinho” é uma música com pegada de Bachata. Como foi escolher ela como primeiro single desse novo trabalho?

João Gabriel: Essa música, quando o Blener me mostrou junto com a Valéria (a música eu deles com Rafael Quadros), falei ‘cara, essa música é um chiclete’. Quando ouvi, me arrepiou na hora. Ela arrepia e tem uma história muito bacana, com o refrão bem grudento, pegajosa. E quando a gente resolveu lançar o trabalho, resolvemos lançar por partes. A primeira música foi “Lovezinho”, que com certeza marca um diferencial na nossa carreira. Sempre gravei muita música romântica. Tem coisas dançantes, mas como “Lovezinho” não tinha ainda. Foi pra impactar mesmo o nosso público e a gente queria também captar um público que ainda não conhecia o João Gabriel. A música foi lançada e está surpreendendo a gente.

Me Gusta: Como você vê o Sertanejo atualmente?

João Gabriel: Acho o Sertanejo é um estilo, cheio de estilos dentro. A Bachata mesmo é um ritmo latino americano e o Sertanejo consegue ter o poder de apostar em outros estilos, que viram Sertanejo. A gente fala da vida cotidiana das pessoas. Temos elementos como a sanfona os violões dobrados e um estilo de tocar bateria. Acho que o Sertanejo é um gênero que tem vários momentos ímpares e diferenciados e que nunca sai de moda. e acho que posso dizer mais do que qualquer um, por estar no Rio de Janeiro. Quando o Sertanejo chegou no Rio, a primeira noite sertaneja no estado do Rio de Janeiro, quem fez fui eu. Depois que a gente conseguiu abrir essa porteira aqui, todos os eventos tem Sertanejo. E acho que o Sertanejo tá vivendo sempre um grande momento.

Me Gusta: Como é sua relação com os fãs?

João Gabriel: A melhor possível. Procuro responder a todos. As minhas redes sociais são totalmente abertas e acho que é ali que encontro minha força para dar continuidade ao meu trabalho e ali que eu tenho a esfera de onde a gente está chegando, do que tá acontecendo e do que as pessoas esperam do João Gabriel. Então a minha relação com os fãs é a mais aberta possível. tenho um carinho imenso e tenho eles como as pessoas mais importantes da minha carreira e da minha vida. A vida do artista sem o fã é uma vida sem trabalho e sem perspectiva. Somos uma família.

Me Gusta: O que você diria para os cantores em início de carreira?

João Gabriel: É uma carreira que precisa de muita persistência e muita perserverança. Você tem que se dedicar demais ao canto, a um instrumento e não pensar que vai ganhar dinheiro de pronto. Você tem que saber que o dinheiro e a fama só vem com o tempo.

Me Gusta: O que você pode jantar dos próximos passos da carreira?

João Gabriel: Vamos divulgar esse trabalho, “João Gabriel no Morro”, com um João Gabriel totalmente repaginado. Em dezembro a gente quer gravar um novo projeto. Tem muitas novidades por aí e também parcerias musicais. Mas o maior foco no momento é trabalhar muito o DVD.

Me Gusta: Pretende lançar composições suas também?

João Gabriel: Tem algumas composições nos CDs passados e o tempo inteiro vem pintando coisas, sim. Esse é um DVD/EP, uma coisa mais curtinha e tenho vontade de gravar um DVD completão com músicas que fiz, inclusive para minha filha. Penso sim em lançar algo mais autoral.

Me Gusta: Como é o seu processo de composição e suas inspirações?

João Gabriel: E muito natural. Costumo dizer que sou meio fofoqueiro, fico ouvindo a conversa dos outros na mesa do restaurante ao lado, e eu sempre capitando algumas histórias para poder chegar e ter inspiração. A minha própria vida também e as conversas com os amigos. Às vezes a inspiração vem quando eu tô quase indo dormir e a letra bate toda na minha cabeça, e sento na sala, crio uma melodia e sai uma música. Mas não tem muito momento não, agora tem a facilidade do celular e a gente pega o gravador de voz e vai gravando o que vem à cabeça.

Me Gusta Entrevista : Ana Clara

Texto e entrevista por André Rossanez

O Portal Me Gusta teve a felicidade de entrevistar na sede da Universal Music em São Paulo, uma das maiores cantoras de Samba da atualidade, Ana Clara.

A cantora acaba de lançar seu novo single, “Coração Feliz”, uma versão do clássico de Beth Carvalho. A canção está na trilha sonora da novela da Globo, “Bom Sucesso” como tema da protagonista Paloma, personagem de Grazi Massafera.

Tivemos um bate papo bem bacana e inspirador. Falamos sobre a carreira de Ana Clara, o novo single, sobre Samba e o novo DVD que tá chegando em Agosto. Saiba na íntegra tudo que conversamos.

Portal Me Gusta: Como surgiu a música na sua vida?

Ana Clara: A minha relação com a música já vem desde quando eu estava na barriga da minha mãe. Tá no sangue, não tem jeito. Quando a gente nasce para fazer uma coisa já está na gente. Minha família gosta muito de música e o meu pai sempre foi muito amante do Samba, então eu sempre tive essa proximidade com o Samba em específico, por conta dele. Mas quando eu era pequena fazia aula de música, fazia violão, piano e a última coisa que eu fui me interessar foi cantar. Então a música sempre esteve presente na minha vida, principalmente na minha casa.

Me Gusta: Quais são as suas maiores referências musicais?

Ana Clara: Dentro do Samba sempre se tu ou meu pai pelo fato dele gostar muito de Samba e porque ele sempre cantou muito. quando eu era pequena Eu lembro que ele levava os amigos dele lá em casa e faziam uma roda. Ele sempre gostou de tocar percussão, então eu também tava batucando desde sempre. Tudo que aprendi de Samba foi com ele. Mas tenho outras referências também fora o meu pai. Gosto muito de música boa e sou muito eclética. Sou muito fã da Ivete, por exemplo. Gosto muito de Djavan e de vários artistas. Hoje, da nova geração inclusive, eu escuto muito a Iza e gosto muito do que ela faz. Gosto de ouvir música boa.

Me Gusta: Como surgiu a parceria com Alcione ao regravar o clássico “Não Deixa o Samba Morrer”?

Ana Clara: Ter a Alcione nesse DVD foi um presente. Sempre digo que ela é um dos medalhões do Samba e ela significa muito para música brasileira num todo e eu sempre tive ela como referência. Nossa, fiquei muito feliz quando ela aceitou E principalmente por eu ser da nova geração e saber que a geração dela, já é um pouco mais criteriosa com o som em si. Fiquei muito feliz. Ela aceitou de primeira e aquele dia foi um marco, porque tem coisas que a gente não espera e acontecem. E a gente fica feliz da vida.

Foto: Divulgação

Me Gusta: Como foi a escolha de repertório do EP “A Gente Sempre Ganha”?

Ana Clara: Esse EP na verdade faz parte desse DVD, que a gente dividiu em duas partes. Uma a gente lançou o ano passado e tem participações da Alcione do Atitude 67. E agora mês que vem a gente lança a outra parte e lança o DVD inteiro. Tem músicas autorais e tem regravações de artistas que eu gosto. Músicas que sempre ouvi e gosto muito, só que dentro do som novo que a gente faz. E por último entrou o single “Coração Feliz”, que inclusive passou na frente do DVD, porque a gente achou melhor lançar antes, e tivemos o presente de entrar na novela.

Me Gusta: Qual a sensação de ver sua versão de “Coração Feliz”, na trilha sonora da novela “Bom Sucesso” como tema da personagem de Grazi Massafera?

Ana Clara: Gente, eu quase morri, né? Sendo bem honesta é mais um dos presentes que a gente nunca espera e acho que a música estar ali, é a maior vitrine em que eu poderia querer que o meu trabalho estivesse. As pessoas do Samba até me conhecem mas hoje a música tá no Brasil, na verdade tá para o mundo, porque a novela passa em muitos lugares. Hoje qualquer pessoa que assiste a novela pode ter a oportunidade de conhecer outros trabalhos, não só o meu. Eu tava até vendo a lista das músicas que entraram na novela, e acho que eu sou a única artista meio desconhecida. Então eu estou muito feliz. É um público misturado e faixas etárias diferentes, então as pessoas vão, a massa vai, poder conhecer o meu trabalho, a partir dessa oportunidade de estar em “Bon Sucesso”.

Me Gusta: Como foi fazer a sua versão de “Coração Feliz”, um sucesso já consagrado de Beth Carvalho? Qual a maior desafio de fazer uma versão de um hit?

Ana Clara: Fazer uma versão já é um desafio, não importa o que tu vai cantar. Porque a gente precisa respeitar e seguir algumas coisas que já foram construídas em cima daquela música e “Coração Feliz” é uma música que nunca foi regravada por nenhum outro cantor ou cantora do Samba. Geralmente clássico são regravados por várias pessoas e essa música não, então eu já fiquei super tensa e eu queria muito que a Beth Carvalho tivesse ouvido a música, para saber se ela ia gostar ou não, mas infelizmente no meio do caminho a gente recebeu a notícia de que ela tinha falecido. Mas eu fico feliz também de ter podido eternizar uma obra dela, que na verdade é um samba meio ‘lado b’ e tem pessoas que podem ser que vão ouvir pela primeira vez. Cantar uma música de uma pessoa que sempre foi referência para mim, é muito gratificante e eu espero que quem ouvir goste, porque a gente fez com muito carinho.

Foto: Divulgação

Me Gusta: Como é o seu processo de composição e suas inspirações?

Ana Clara: Acho que compor é uma coisa muito louca, sabe? Acho que cada pessoa tem meio que um jeito de compor. Tem gente que fica triste escreve. Também é muita prática. Eu tive amigos que sempre me incentivaram muito a começar a compor, dentro do estúdio mesmo. A gente pega assuntos, às vezes assuntos do momento, coisas que estão passando em nossas vidas ou nem sempre. Às vezes são algumas coisas que um amigo ou um conhecido está passando e escrevo. Eu já tive uma ajuda muito profissa desde o começo e fomos desenvolvendo algumas coisas. Inclusive nesse meu DVD, que vai sair agora inteiro, tem músicas autorais minhas e eu fiquei muito feliz, porque o nível de exigência ali é muito alto. Tem muita música boa e às vezes você escreve algo mais ou menos e não quer colocar. Inclusive, “Página Marcada”, que foi a minha antiga música de trabalho é uma composição minha em parceria com um dos vocalistas do Atitude 67. Eu estou aprendendo. É questão de prática.

Me Gusta: Qual é a melhor parte da carreira de cantora?

Ana Clara: A melhor parte é sem dúvida, você subir no palco e cantar. É um momento de entrega. Eu sempre digo, que a gente que tem essa missão de levar a música para as pessoas, tem uma responsabilidade muito grande. É um momento de troca e você tá em cima do palco. E as pessoas tão lá para te ver e você poder dar o melhor de você, não tem coisa melhor. É óbvio que muitas coisas envolvem, até você subir no palco e tem muita coisa que acontece. Mas naquela hora de subir no palco, você desliga do mundo e tá ali fazendo o que ama. É maravilhoso.

Me Gusta: Como você vê o samba atualmente?

Ana Clara: Na verdade ainda espero ver melhor e com mais mulheres. Eu tô aqui, e às vezes eu fico incentivando muito a mulherada a também segurar essa bandeira, porque é difícil. A gente vê aí, por exemplo, o sertanejo que de um tempo para cá tem muitas mulheres fazendo isso. Eu amo o Samba. Tá na veia. É um ritmo brasileiro, muito tradicional e fico muito feliz de estar aqui e poder representar tantas pessoas. Mas eu quero ver outras mulheres.

Foto: Divulgação

Me Gusta: Como é sua relação com os fãs?

Ana Clara: Tento me aproximar ao máximo. Hoje a rede social já cria essa proximidade e vira e mexe tô falando alguma coisa e respondendo. É muito importante a gente criar esse vínculo. Tudo que faço é pensando em quem vai ouvir e sou muito feliz por ter 25 anos, e já ter uma galerinha que acompanha o meu trabalho, desde sempre.

Me Gusta: Teve algum momento em que você percebeu que a carreira de cantora daria certo?

Ana Clara: Agora vai dar certo, vai caminhar. Acho que o momento que vivo hoje é o mais importante da minha carreira. É óbvio que já vivi muitas coisas e tiveram coisas incríveis que vivi, como por exemplo, os ‘Gigantes do Samba’, uma turnê que fiz ao lado de Luiz Carlos, Alexandre Pires e Belo. Hoje lancei um trabalho em que tô cantando sozinha e a minha música foi para novela. E é muito bom esse momento de ter sido escolhida uma música cantada só por mim, quando eu tinha outras com parcerias que podiam ter sido escolhidas. Estou muito confiante. Acho que nunca acreditei tanto quanto hoje.

Me Gusta: Quais são os próximos passos na carreira?Ana Clara: Estrada. Vamos começar a divulgar no Brasil o single que lancei, “Coração Feliz” e também o restante do DVD.

Me Gusta: O que você diria para quem está começando na carreira artística?

Ana Clara: É aquela frase clichê: nunca desista do que você ama fazer. Tô aqui e insistindo até hoje. se eu não tivesse insistindo não teria chego até aqui. Vejo tanta gente que desiste no meio do caminho por dificuldades ou alguma coisa assim. Mas tudo acontece no momento certo. Às vezes a gente tem que passar por determinadas coisas, para evoluir e ficar mais preparado. É focar e ter determinação, que tudo vai dar certo.

Ana Clara é uma artista completa e que ama muito a música e a profissão de cantora. Seu olhar mostra toda essa paixão ao falar sobre a carreira e suas canções.

Foi muito isnpirador ver uma artista tão nova fazendo sucesso com muito pé no chão, simplicidade, carisma e que vê a música de forma tão bonita e especial.

Não é a toa que Ana Clara é um dos maiores nomes do Samba atual e encanta cada vez mais seu público e conquista seu espaço na música brasileira já cedo.

Eu com Ana Clara após a entrevista

Me Gusta Entrevista : Naiá

Texto e entrevista por André Rossanez

A cantora Naiá, lança o seu novo projeto “Caetane-se”, onde interpreta com muita personalidade e identidade própria, grandes canções de Caetano Veloso.

Já foram lançadas, as releituras de “Odara”, “Tigresa” e “Não Enche”. Em breve outras músicas serão lançadas para completarem o projeto.

Foto: Divulgação

Conversamos sobre a carreira de Naiá, suas versões das músicas de Caetano e sobre música. Saiba tudo que conversamos na íntegra e conheça melhor esta grande cantora.

Portal Me Gusta: Como apareceu a música na sua vida?

Naiá: Sabe no que eu penso? Em Michael Jackson. Porque eu era muito fã dele, eu tinha uma camiseta do Michael Jackson e é engraçado porque na minha época, quando eu era criança, todo mundo achava ele brega e eu achava ele o máximo. É meio louco, mas acho ele foda até hoje, profissionalmente, dane-se o pessoal, não entro nesse lugar. E eu comecei a cantar como toda criança. A gente começa a cantar brincando e dançando, mas aquilo era muito forte e eu sempre senti que a música tava dentro de mim e eu dentro dela, era a mesma coisa eu e a música. Quando você canta é isso mesmo que acontece, o seu instrumento é a voz, então você está compondo com a música. E aí com 6 anos eu comecei a fazer aula de piano com uma professora japonesa, a Mayumi, e como eu sou muito fora de foco e indisciplinada, eu não consegui estudar, sabe aquela coisa? Mas eu sempre fiz aula de piano, fiz aula de iniciação musical na Teca Alencar, que é uma super professora maravilhosa e minha mãe era bailarina, então eu sempre estive nesse ambiente.

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Como ela falava eu era ‘filha de camarim’. Então eu sempre estava nos bastidores ajudando em cenário, na produção, ia na 25 comprar coisas para o cenário, aquelas coisas e ela era uma performer. Então ela pesquisou muito som, ela pesquisa até hoje, e isso me me deu muito ouvido e me fez ser eclética musicalmente. Aí com 14 anos eu queria ser cantora de Ópera, porque eu tinha acabado de ficar mocinha, então aquela coisa de hormônios e tal. Eu queria ser cantora de Ópera. É engraçado correlacionar isso, porque parece uma coisa meio histérica, talvez. Mas não foi por isso, eu tava vivendo exatamente isso e queria cantar Ópera e achava o máximo e comecei a fazer aula de canto erudito, de violão e piano, mas nunca fui de estudar muito. E aí com 28 anos, que eu descobri o teatro e aí que eu entendi o que eu sou, que sou performer, mas do que é
musicista, mais do que cantora o, meu lugar é meio de teatro, canto, dança. É meio como minha mãe faz. Uma instalação, que é uma experiência. Eu acredito nesse lugar, nesse ritual mesmo, que quando você vai assistir um espetáculo, um show de música, é uma experiência que a gente tem, é uma instalação. E é performer que eles vão ver e não, uma cantora que vai tentar acertar perfeitamente aquela nota, apesar de tentar sempre. Mas o foco é o todo, o mais importante é o todo e não as pequenas partes. Com o teatro voltei a ter contato com o canto e com a dança e eu fiz uma banda para tocar e ganhar dinheiro, para cantar em casamentos, festa de fim de ano, uma coisa mais corporative de Bossa e Jazz. A gente cantava muito Tom Jobim, que é muito gostoso, muito fodão. E aí há 4 anos atrás eu comecei com esse projeto e essa história de buscar a minha identidade musical. Eu como fui uma adolescente dos anos 80, ouvi muito Depeche Mode e músicas meio pop/indie e eletrônico. Os elementos eletrônicos fazem parte da minha construção e minha identidade musical. E daí, há 4 anos atrás peguei a música “Odara” para tentar descobrir o que saía da Naiá, da minha caixa preta e veio vindo esses elementos eletrônicos, com melodias assim, com uma outra harmonia e saiu isso, que é o resultado dessa miscigenação que tenho, muito esse lado tribal, que é muito indígena e muito afro. Então tem muita percussão, muito swing e muito axé. As músicas todas precisam ter isso para mim . Tenho essa mistura. Eu sou filha de alemão também, o que tem tudo a ver com eletrônico, pois eles são muito hi techs.

Me Gusta: como foi para você fazer a versão de do Cazuza?

Naiá: É muito atual. O cara escreveu tão bem, que eu não precisava escrever de outra forma. É claro que eu tenho o meu lado autoral, mas nesse momento é isso que tá saindo de mim. É um quadro e cada um tem uma interpretação. Você pode ver uma placa e entender o que você quiser e eu posso entender o que eu quiser também, tenho esse direito. O que acontece, é que as pessoas criticam muito quem faz versões, como se a gente não tivesse fazendo música. Não é a história de um cover, a gente não tá fazendo um cover do Caetano, eu não fiz um cover do Cazuza. Eu tô dando a minha contribuição para essa obra. Mas ‘Ideologia’ foi num momento em que eu tive um contato com um cara fantástico, que chama Galopido, que é um artista plástico e um fotógrafo, um cara maravilhoso. E aí conversando com outras pessoas, a gente chegou que eu queria fazer essa música. Ainda mais em São Paulo que é um caos, no que eu acredito? Será que eu preciso ter uma ideologia e quais elas? Hoje em dia, sem entrar no mérito, politicamente é uma questão e a letra inteira é muito atual, hoje em dia. E acho que ainda vai ser por muito tempo. Não é um ponto de vista triste, porque somos lutadores e somos uma certa resistência, com gentileza e fazendo arte. E sobre essa história toda, muitos amigos estão indo embora do Brasil e muita gente indo embora, morar em Dublin para fugir do caos e a gente pensou nisso. “Ideologia, eu quero uma para viver” e Cazuza é fantástico. O clipe tem todo esse caos, que o Gal colocou muito bem. São Paulo é essa coisa, com aqueles prédios lindos da Frei Caneca, da Oscar Freire e Berrini e dos centros comerciais, em que todo mundo vai de terno, todo mundo brilha com seu cabelo e comendo sua marmita de frango e salada e ao mesmo tempo você tem um caos, que é uma bagunça e uma falta de direção. Como a gente tá perdido, é uma menção é isso. Ao mesmo tempo a gente vive nesse caos e quem é sensível demais parece louco, porque a gente, o artista tem muito disso, dessa coisa à flor da pele.

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Me Gusta: No projeto com músicas do Caetano Veloso, tem o conceito de que cada música representa uma cor. Como surgiu essa ideia?

Naiá: O conceito é o seguinte. Cada música tem uma cor, porque cada cor tem um significado no chácras, no mundo. Tanto é que tem gente que estuda publicidade e que estuda as cores, porque tem a ver com tudo. E no final das contas, a ideia é de que todos estamos conectados e com todas as cores. Porque todas as músicas têm o lado que você achar que tem, pois cada um é responsável pela sua interpretação. Sou responsável pelo que falo, mas o que você entende é problema seu, não me culpe por sua interpretação. Cada um tem a sua interpretação da música e ntão todas as cores colaboram e estamos todos conectados. Eu fazendo meu trabalho e você escutando, estamos fazendo essa obra juntos. Não fazemos nada sozinhos.

Me Gusta: Como foi escolher quais músicas do Caetano Veloso iria gravar?

Naiá: Foi babado, porque Caetano foi a estrada de muita gente. Ele é um cara que é uma figura até assim, a gente não imagina ele andando aqui. Minha mãe escutou muito Caetano e eu escutei muito na minha infância e faz parte da minha cultura e da minha construção. Então foi muito difícil escolher as obras, porque ele tem muita coisa. Ele tem uns 42 álbuns e seria uma prepotência e uma arrogância achar que eu iria pegar as melhores. Foram as que estavam mais orgânicas, mesmo. No show que fiz ano passado e que chamava ‘Vozes Em Mim”, eu cantei “Tigresa” que diz muito para mim e a música que comecei esse trabalho de identidade musical foi “Odara”. Então falei “cara vamos assumir que estamos Caetaneando e vamos fazer um EP do Caetano?”. O cara é foda. Foi por isso, foi bem natural.

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Me Gusta: Como gravar o clipe de “Tigresa”?

Naiá: A referência do clipe era a fêmea para mim. E a cor é amarelo, que é o plexo solar e a coisa da sabedoria, da rapidez e do extinto da tigresa bicho e da fêmea.no clipe a gente colocou bem esse contraponto então tem aquela que é mais Punk com essa referência das botas de vinil e da Patti Smith. Você vê que a maquiagem de “Tigresa” é bem Patti Smith, bem Dark. Então tem esse lugar urbano. Aquele muro de grafite. E é como se essa mulher quisesse entrar nesse grafite e o grafite saísse. Uma coisa sai da outra, eu tava sentindo isso no clipe. E tem esse lugar mais iang, que é a rua, o punk, o ácido e a bota pesada. E tem aquele lugar mais embrionário, uterino, que é o lugar onde eu estou, oo icosaedro, o mesmo onde minha mãe dança. E gente tem quantos lados? O icosaedro tem vários lados e é bem isso. Tem aquele lugar mais delicado, do ing, em que você pensa, e tá germinando e o lado mais rua, em que a gente se mistura mais, mesmo. Tem que ter cuidado para onde a gente vai, porque a gente é tudo isso.

Me Gusta: Como foi passar do erudito para o popular? Foi difícil?

Naiá: Eu percebi, que pra mim, eu eu tava meio que me escondendo no canto erudito. Quando você passa na frente de uma casa de ópera, de um teatro, você não identifica qual que é a cantora, porque tá tudo num registro. E quando você canta popular, você coloca mais a sua voz mesmo e a sua personalidade e tem que bancar isso. Então não é difícil. O que achei difícil foi fazer aula de canto popular. Geralmente eu tinha dificuldade de não ir para garganta, então eu fazia aula de canto popular e ia para garganta e me machucava. É difícil achar uma fonoaudióloga, alguém que tem essa técnica que faz você cantar com as suas vísceras, com o peito e com a cabeça. Foi difícil para mim achar uma pessoa que tinha essa compreensão integral do corpo e que ia tirar da garganta e ao mesmo tempo me dar uma voz cantada e falada.

Me Gusta: Você fez faculdade de Economia. De alguma forma isso influenciou na sua carreira?

Naiá: Se se eu não tivesse feito economia e não tivesse trabalhado em escritório, eu tava fudida. Já sou tão louca e trabalhar no escritório foi muito bom, porque entendi que o mundo tem uma outra velocidade e eu fui buscar essa história de economia, porque eu não queria ter a mesma vida instável economicamente que a minha mãe teve. Você tem que fazer um milhão de coisas para poder fazer a arte. fiz muita coisa para poder sobreviver e fui buscar a economia pois queria achar uma estabilidade. Hoje vejo também que a Naiá é um produto. Quero ser aceita e criar demanda. Eu entendo que o patrimônio do artista é um pouco público, sim. Tenho que criar demanda e não tô fazendo música só porque acho bonito, também porque quero sobreviver financeiramente. sou capricorniana e essa troca com o mundo e com a matéria tá muito clara para mim. Tenho privilégio de dormir numa cama, tomar banho, tomar café e acho que também a minha obrigação é gerar emprego. Então nisso a economia me ajudou muito, me deu um chão.

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Me Gusta: Ao fazer algo autoral, quais são suas inspirações?

Naiá: Eu mesma, a minha vida. Tem que ser o mais verdadeiro possível. Foi criada como negra. Sou filha de afro, de índio e o lado da minha mãe é todo albino, loiro de olho azul, austríaco. Então fui criada como minoria mesmo. Albina falei de maldade mesmo. Do mesmo jeito que eu escutei muito, muitas vezes fiquei com raiva dos brancos. Fui criada nesse meio e naquela coisa de escola de “se você for de preto, vai estar transparente”, “olha tem alguém fedido aqui”. Sempre era eu. Tinha um bullying é muito chato. Tem essa coisa meio deprimida, mas é uma superação. Sou muito forte, uma guerreira. Não paro e não tem um dia na minha vida em que não tô pensando em alguma coisa de música. Tô sempre pesquisando e ensaiando. Nada do que aconteceu de mal tira o que quero de bom para mim. Sou a maior fonte para compor mesmo. As minhas dores foram algumas e o interessante, é que dá para ver de vários pontos de vista.

Me Gusta: O que você diria para os cantores que estão começando agora?

Naiá: Muita força. O mercado abriu bastante. Assim como todos os trabalhos, tem sua fase de ‘estágio’, então tem que ser sub em vários lugares para você tocar e ter força. Eu acredito, que tem um nível de qualidade do artista que só acontece se a pessoa for ambiciosa. Se a pessoa não quiser ficar, permanecer, não aguenta porque o mundo é mau. Tem gente que paga 20 para você não ganhar 5, no mundo da música tem isso do ego. então fazer arte porque ama é o principal. Mas você tem que ter uma força de guerreira.

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Ao conversar com Naiá, pude conhecer uma mulher e uma cantora forte e cheia de personalidade. Alguém que nos inspira através de sua trajetória, de seus pensamentos e de sua arte.

É muito legal a forma com que ela vê a arte e as coisas do nosso cotidiano. Além de muito verdadeira, Naiá é muito simpática e carismática e mostra a todo momento, através do brilho dos olhos, o amor que sente pela música e por poder tocar o coração de tanta gente.

Eu com Naiá após a entrevista