Me Gusta Entrevista : Bárbara Mendes

Texto e Entrevista por André Rossanez

O Portal Me Gusta teve a honra de fazer uma conexão São Paulo – Rio de Janeiro por telefone com a talentosa cantora Bárbara Mendes.

Muito simpática e alto astral, Bárbara me atendeu para falar um pouco sobre o seu mais recente álbum “Orgânico”e sua carreira.

Bárbara Mendes, que já morou nos Estados Unidos e participou da primeira edição do programa ‘The Voice Brasil’, acaba de lançar seu álbum com onze músicas, todas compostas por seu marido Tito Marcelo. A produção é de Victor Biglione.

Ela também foi convidada por Roberto Menescal para fazer parte de um projeto internacional. Nele, a cantora será solista em versões, todas em inglês, de músicas do próprio compositor. O lançamento será ainda esse ano.

Agora você vai ficar por dentro de tudo que ela me contou e com certeza, vai se apaixonar ainda mais pelo trabalho dela.

Capa do disco “Orgânico”

Me Gusta: Como surgiu a música na sua vida?

Bárbara Mendes: Eu venho de uma família de músicos. Meu avô era italiano e cantava ópera na Itália e veio ao Brasil na primeira guerra e lá em casa sempre teve muito essa coisa de música. Louvor venha passar as férias com a gente e perambulava, brincava com a gente fazendo vocalize. A minha mãe foi cantora profissional. Na época dela, ela teve um sucesso bem significativo, foi nos anos 60. Ela veio de Minas junto com o Milton e com Toninho Horta e ganhou um festival na época do Flávio Cavalcanti, chamado “A Grande Chance” e assinou contrato com a Tupi e lá deu uma estourada. Só que ela parou de cantar ainda é aquela velha história, de que a mulher casav parava de cantar, ela entrou nesse negócio. Então a música na verdade nasceu lá em casa. Eu nasci dentro dela e ela nasceu dentro de mim. E eu percebi ela em mim muito cedo. E apesar de a minha mãe já ter parado de cantar, naquela época e fazia muito menos coisa, eu sempre saquei que a música era um negócio que tava dentro de mim.

Me Gusta: Como foi a escolha do repertório do novo disco “Orgânico”?

Bárbara: se você perceber o disco todo é de um compositor só, o Tito Marcelo, meu marido. Ele é um cara que quando eu conheci, há 5 anos atrás, eu conheci porque foi gravar uma participação no disco dele e eu não conheci o trabalho dele e nem ele. Ele é de Recife. E o produtor do disco dele eu tava comigo e disse “Bárbara, você tem que ouvir o trabalho desse cara” e de lá para cá, a gente manteve o contato. Até mesmo antes de namorar, eu achava as composições dele incríveis. e a gente se vira um casal e gostava muito de ouvir aquele disco do Dominguinhos com Elba Ramalho, tudo começou alí. É lindo o trabalho dele e ele é apaixonado pelo Dominguinhos e eu também. E ele me disse “você podia gravar umas músicas minhas”, porque ele é um grande compositor, mas não é um grande cantor, apesar de ter os discos deles. E falou “nunca teve uma cantora assim gravando as minhas músicas, vamos fazer um disco?”. Eu falei “Tá bem, vamos”. Ele tinha umas 200 músicas, e sentamos e fomos vendo “essa é maravilhosa, Essa é maravilhosa” e então fomos escolhendo de 3 em 3, de 4 em 4, estamos escolhendo dentro de todo aquele trabalho dele. Apesar dele não ser um compositor conhecido, renomado, eu acho o trabalho dele maravilhoso.

Me Gusta: Como surgiu a ideia dele gravar com você no disco? Como foi escolhida a música “Degelo”?

Bárbara: A gente contaram lava muito essa música aqui em casa e como essa música é de duas pessoas falando, foi a primeira que aprendi dele. Eu cantava e ele cantava. E eu falei “essa música é a regra para você cantar no disco comigo, tem que ser essa que já é natural para gente, já tá na veia da gente cantá-la juntos.

Foto: Dede Fedrizzi

Me Gusta: Como trabalhar com alguém tão próximo à você que te conhece tão bem?

Bárbara: É maravilhoso. Eu acho que facilita muito as coisas. A gente tem uma relação de admiração pela música, muito respeitosa e para mim a música é muito mais importante que minha relação com ele e ele sente o mesmo quando a gente tá fazendo música. Então a gente ali é músico e artista. E claro que facilita, porque a comunicação fica mais fácil porque a gente se conhece melhor, o que também podia ser ruim. Mas o nosso caso foi muito bom, porque eu acho que a gente tem a mesma admiração e o mesmo respeito e mútuo um pelo outro. E fica bem fácil fazer esse trabalho.

Me Gusta: Como foi gravar o projeto com o Menescal e como apareceu a oportunidade?

Bárbara: Eu conheço o Menescal há muitos anos. ele tem um parceiro de estudo chamado Raimundo Bittencourt, que é um cara com quem eu trabalho há muitos anos, fazendo projetos de Bossa Lounge. Se você for nas plataformas digitais e por o meu nome, você vai ver muita coisa gravada nessa onda. Eu sempre cruzava com Menescal e batia papo, conversava e ele dizia como gostava da minha voz. Aí o Raimundo me ligou e falou “tem um projeto que eu e o Menescal queremos fazer e ele me sugeriu você, que acha que sua voz é perfeita para isso”. E como eu morei nos Estados Unidos muitos anos, quase 11 anos em Nova York, eu tenho uma fluência com o inglês e como tem essa pegada nos Estados Unidos eu cantava muito a Bossa Nova, veio o convite.

Me Gusta: Como foi participar do The Voice Brasil? Qual foi a importância dessa participação na sua carreira?

Bárbara: Eu acho e tudo que tem uma projeção em televisão, principalmente em uma rede como a Rede Globo, é uma coisa importante exatamente por isso. Te dá um alcance que às vezes a gente como um artista independente não consegue ter. Eu acho que foi bacana e foi importante, tanto que estamos falando sobre isso hoje. Então são coisas que vão te marcando e o The Voice que eu fiz, foi o primeiro e acho que muita coisa estava sendo testada e tentada. Eu gostei muito de fazer pela qualidade das pessoas que estavam ali. Tinha muita gente que eu conhecia muito tempo, era uma galera que tinha carreira um pouco mais solidificada. Hoje eu vejo o pessoal do The Voice com uma carreira menos longa, o que eu acho bacana e interessante, porque consegue dar projeção para esse pessoal que vem mais do interior ou tem menos tempo de estrada. Quando eu fiz em 2012, era tudo pessoal que já veio da estrada e que tinha uma carreira. Então foi muito bacana. Tinha muitos amigos e os produtores de lá. Todo mundo se conhecia por estar na estrada há muito tempo. Foi muito bacana e a projeção foi bem legal.

Me Gusta: No disco temos uma espécie de trilogia com “Santa D’água”, “Por Onde Passa o Sol” e “Desértico”. Como surgiu a ideia da trilogia e qual a importância dela?

Bárbara: Acho importante mostrar essa coisa da regionalidade. É um marco do Tito. Como para mim música não tem barreira e nem fronteira, ela tem que ser boa, tem que me tocar de alguma maneira. E a gente não pode esquecer que o Nordeste existe aqui, isso é muito importante. Essas músicas são muito fortes para mim. Por exemplo, “Por Onde Passa o Sol” para mim tem quase uma pelo cinematográfico. Sabe aquela série da Globo, que acabou há uns seis meses, “Onde Nascem Os Fortes”? Imagina aquela música do Caetano. Ela tem a mesma vibe, essa coisa do deserto, do sertão e por aí elas se combinam.

Foto: Divulgação

Me Gusta: Quais são os projetos para 2019 que você pode adiantar?

Bárbara: A priori é divulgar o máximo que eu puder desse trabalho, que merece ser ouvido por quem tem interesse por essa corrente e que possa se interessar por uma música que tem mais profundidade, que consegue ser tocada por esse tipo de letra. Tô querendo, tenho a ideia ainda de fazer um projeto lá para fora. Um projeto de música autoral, mas também com uma pegada mais jazz. Mas isso é mais para o final do ano. Eu quero é agora investir nesse trabalho. Vou agora fazer dois videoclipes. Um deles está marcado para ficar pronto até o meio de Maio, o da música “Recalques”. E o outro vai ser da música “Respiração”. E vou botar o pé na estrada, fazer shows.

Me Gusta: Qual sua relação com as redes sociais e os fãs?

Bárbara: A minha relação é muito próxima. eu gosto e acho que as redes sociais possibilitam o artista estar muito mais próximo às pessoas no falar, seja para divulgar o trabalho ou para mostrar quem é como pessoa. Acho que as redes sociais desmistificaram um pouco essa coisa do artista longe, aquela imagem em cima do pedestal. Eu gosto muito. E acho que chegar perto das pessoas, conversando você apresenta quem você é e isso é muito importante. a rede social fez com que as pessoas chegassem ainda mais perto. O fã e o artista ainda mais perto.

Me Gusta: O que você diria aos cantores que estão começando?

Bárbara: Procurar a sua voz é uma coisa muito importante e que é muito difícil, porque a gente sempre tá procurando alguma referência. O público procura te ouvir com uma referência, mas tem que tentar entender onde dentro do seu coração, dentro de uma verdade que você cabe. Aí o mercado cabe em você e você cabe no mercado. Às vezes como artista a gente tenta se enquadrar. “Eu vou fazer isso, porque o mercado pede isso”. E você não consegue encontrar sua voz, a realidade de como é sua voz artística, sua persona artística. Buscar essa persona é muito importante. Você tem que acreditar nisso, porque aí o mercado te acha e você acha o mercado.

Foto: Dede Fedrizzi

Bárbara Mendes é uma cantora daquelas que a gente ouve e não esquece. E adora. Sua voz é única e muito bela e suas músicas tem um conteúdo denso e ao mesmo tempo comovente. Uma MPB da maior qualidade.

Este novo álbum, “Orgânico” resumo dizendo que é vim disco muito gostoso de ouvir. Uma obra prima com muita poesia.

Tudo isso faz de Bárbara uma grande cantora. Uma das melhores do nosso país. E além disso, mesmo ao telefone, conseguimos sentir seu amor imenso pela música e por seu trabalho tão lindo e importante.

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