Me Gusta Entrevista – Perí

O Me Gusta teve a oportunidade de conversar na quarta-feira dia 5 com o cantor e compositor Perí na Fnac da Avenida Paulista em São Paulo. Muito gente boa, ele me recebeu com muito carisma e simpatia.

Antes de fazer a primeira pergunta o cantor já me contou que gostava muito de falar sobre seu trabalho e se mostrou muito à vontade e contente em poder falar de sua carreira.

Minha primeira curiosidade foi em saber como surgiu seu amor pela música. Ele contou que começou a cantar aos 9 anos profissionalmente e que foi sempre incentivando pela família. Após saber de um teste para entrar em um coral de um grupo austríaco, ele conseguiu a vaga com 10 anos de idade. Já o teatro apareceu no final da faculdade após ver no jornal um anúncio para o primeiro grande musical no Brasil, no qual garantiu sua vaga.

Sobre o seu processo de composição, Perí hoje em dia costuma escolher um tema e começar a escrever, até “saturar a lixeira”. Para ele quando a lixeira está cheia é um bom sinal, pois mostra que depois de tanto tempo conseguiu escrever uma boa música e que o seu medo da crítica está bem baixo.

Sobre suas inspirações, elas vêm do momento que ele compõe através daquilo que está vivendo. Para seu mais recente disco a inspiração foi o centro de São Paulo, onde viveu intensamente nos últimos tempos.

O Me Gusta não podia deixar de falar com Perí sobre sua passagem pela banda Nove Mil Anjos (com Junior Lima, Peu e Champignon). Ele me disse que ” se está aqui hoje foi por passar por lá” e que foi uma época muito importante para sua carreira. A visibilidade do grupo o fez conhecer muitas pessoas e aprender com os erros e os acertos. Foi muito marcante para ele ter tido um celular da Nokia com conteúdo exclusivo da banda e que foi um estouro em vendas de 2008 a 2011. Também revelou que a amizade com Junior Lima permanece até hoje.

Com a banda Perí aprendeu a entender melhor a profissão de músico e como ser um profissional melhor. Foi a base para depois recomeçar quase do zero.

‘O Mar Atravessou A Rua’, o novo álbum de Perí, retrata o centro de São Paulo e a ideia surgiu pela necessidade do cantor de se reaproximar dele mesmo, que passando pelo centro da cidade teve contato com “as pessoas do dia a dia e que sabem o preço real das coisas”. Tudo isso surgiu de sua revolta interna e existencial junto ao cotidiano caótico de São Paulo, uma cidade cheia de diversidade onde se encontra o mundo inteiro.

O novo trabalho foi dividido em duas partes principalmente por terem muitas músicas e as faixas da segunda parte são mais conceituais e as preferidas de Perí estão na primeira.

Uma cantora que todos nós admiramos e que Perí teve a honra de fazer parceria foi Rita Lee. Aconteceu pois sua amiga era backing vocal da roqueira e assim ele pôde acompanhar o trabalho da equipe durante um show no Rio de Janeiro. Conheceu Rita Lee e depois de um tempo ela estava compondo a faixa ‘Eles Amam As Loucas” que não tinha ainda terminado e pediu para que ele terminasse.

Ao ser perguntado sobre seu sonho como artista, Perí contou que deseja ter sempre a “capacidade de agregar na vida de muita gente”. Ele quer também ser visto como alguém que “tá aí”, teve vivência e ser respeitado por sua história através do tempo. Ressaltou a importância de achar o caminho certo para ser útil através de sua música e o desejo de cantar na TV e em festivais.

Aproveitei para saber as maiores referências da música para ele. O artista contou que vem acompanhando as batalhas de rimas de MCs e que as suas inspirações nessa área são Sid Mc (para ele a expressão pura do que é fazer rima), o MC BMO (que com 14 anos já é muito talentoso) e MC Vick (grande representante das rodas de rimas de São Paulo). Também tem como inspiração Lenine, Mano Brown e Chico Buarque. Admira Pitty que faz uma música em seu próprio tempo, além de Daniela Mercury e Ivete Sangalo que fazem suas próprias artes e não deixam barato, afirmando aquilo que acreditam. Na parte de Business, disse que Kiko do Megadeth é uma meta a seguir, além de ser uma grande inspiração artística.

Duas faixas de seu novo projeto me impactaram bastante e conversamos sobre elas. ‘Motorista Do Bus’ para ele conversa com um povo que sabe que ninguém é bobo e que briga pelo que acha certo. É uma faixa que foi feita após o cantor presenciar o relato de uma mulher que não chegou a tempo no trabalho devido a um tiroteio e através de conversas de um cobrador de ônibus. Esta música foi feita para dar voz às pessoas e aos seus pontos de vista, além de incentivá-las a não parar de lutar.

Já ‘Soul Vive’ é um pedido por educação e condições básicas, como saúde e saneamento básico. Ele comentou que todos somos vítimas e que para mudar a situação política do país, é necessário antes que repensar a Constituição.

O novo single de Perí é ‘Corações Em Nuvens Distantes’ e foi inspirado no grupo Favela Vip que faz as chamadas ‘Story Telling’ (contar histórias através de sua arte). Sua composição ocorreu após o artista ver uma menina no Vale do Anhangabaú que estava com sua pasta de trabalho e foi enquadrada de forma machista e forte, de um “jeito que nunca se faz nem com um bandido”.

Os próximos passos de Peri é continuar divulgando seu novo projeto e depois montar a sua agenda de shows e assim levar sua arte às pessoas ao vivo e “reencontrar a galera”.

Nossa conversa foi muito produtiva com olho no olho e muita sinceridade. Perí é um artista que ama o que faz e mostra no olhar todo seu amor pela música, além do respeito e carinho pelo seu público.

Com Perí após a entrevista
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3 comentários em “Me Gusta Entrevista – Perí

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